quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

laço eterno

     E então é assim. Pessoas entram e saem das nossas vidas todos os dias. Algumas permanecem por um período maior, mas também se vão um dia... Laços são desfeitos a todo momento. Amores eternos que duram meses. Amizades eternas que duram semanas. E é surpreendente a maneira como alguns laços se desfazem tão discretamente.
     Isso me lembra Larry, que partiu em silêncio. Não há nenhuma música que eu ouça e que me faça lembrar da nossa despedida. Não houve despedida. Repentinamente ele me apareceu e, da mesma forma, cruelmente, o perdi. Um descuido, quem sabe... Talvez o jeito misterioso de Larry escondia algum segredo que o impedia de criar laços. E quando viu que o estava fazendo, fugiu, antes que o laço se tornasse tão forte que não pudesse mais ser desfeito. Mas será mesmo que somos tão máximos a ponto de fazer laços, algum tempo depois desfazê-los e então fica tudo certo? Creio que não. Ou melhor, com toda a certeza do mundo, não.
     Detalhes são importantes e eu me esqueci do detalhe de que o laço que amarramos juntos nunca poderá ser desfeito. A cada dia que passa mais eu me acostumo com a companhia da sua falta. O que não quer
dizer que seja fácil para mim, muito pelo contrário. Me acostumar com a sua falta é apenas um método de sobrevivência que resolvi enfrentar. É o que me matém de olhos abertos, com as mãos quentes e com o coração pulsando, mesmo quando não se parece respirar mais. Em outras palavras, desde que o seu corpo se afastou do meu, não vivo mais, Larry. Mas lembra da maneira como nossas almas disseram sim uma para a outra? E lembra daquele dia na lagoa, em que pegamos o primeiro barco no escuro e seguimos remando em direção à estrela mais brilhante, tentando descobrir se a imensidão que havia entre as nossas almas era tão grande quanto à do céu? Hoje tenho a resposta: não há imensidão entre as nossas almas. O nosso laço amarrou uma na outra, e esse é o tipo de laço eterno.
     Escolhi que te deixaria livre e assim o farei até o meu último piscar de olhos. Laços eternos não precisam de corpos para existirem, mas de duas almas que se aceitam e se gostam verdadeiramente em alguma noite, numa lagoa, debaixo de um céu estrelado. Laços eternos não precisam de corpos, mas de duas almas que em algum momento gritaram tão alto uma pela outra, que o seu eco é capaz de perdurar para sempre.
Como o nosso há de perdurar. Para sempre. Para sempre...

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

El poeta

Ele segurava o bloco de papel na mão,
E rolava a caneta, impaciente, entre os dedos.
Eram reflexos do seu conturbado coração,
Os intensos olhos perdidos sabe Deus em qual direção.

Com as mãos tapando a boca
Moldurava o mais perfeito rosto de pensador.
Mas o trânsito engarrafado por dentro,
Mostrava que mais do que isso
Era um senti-dor.

Como uma descarga rápida de seu eu mais íntimo,
Sua mão rapidamente escreveu mais um verso;
Mas não era apenas um verso,
Era mais uma dose de remédio para a alma,
Para a vida...

Algumas palavras a mais
E o bloco foi então fechado,
A caneta guardada,
E os olhos agora concentrados em algo certo.
No bloco guardado na bolsa,
Apenas um embaralhado de palavras;
Um poema inacabado esperando pelo retoque final.

Algumas palavras a mais
E o bloco então foi fechado,
A caneta guardada,
E o trânsito, antes engarrafado por dentro,
Temporariamente liberado.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

convite para despertar



Eu te guardei no bolso esquerdo da calça, junto com todos os meus pedacinhos. Carreguei a calça comigo por dois anos que mais me pareceram séculos. Um dia adormeci e, por pura distração, deixei a calça no baú
ao lado. Quando o sol me ardeu os olhos, despertei. Olhei para o lado, não havia calça alguma. Corri para
a cozinha, onde minha mãe preparava o café e, desesperada, como quem tivesse perdido tudo, gritei:
- Mãe, onde está aquela calça que eu gosto? Eu a deixei ao lado da cama antes de dormir, não está mais lá.
Minha mãe se aproximou, me beijou a testa, sorriu e então disse:
- Minha filha, calma, era só uma calça. Você anda há tanto tempo com ela por perto e imaginei que estivesse suja. A coloquei para lavar.
- Mas você olhou os bolsos antes de lavá-la?
- Sim.
- Então onde está tudo o que estava nos bolsos?
- Está na primeira gaveta da sua cômoda, querida. 
Corri de volta para o quarto, abri a gaveta e, por cima dos livros, nada além de duas moedas e um papel já desgastado. Nada que me fizesse falta, caso lavado. Segurei aquilo com as mãos, me sentei na cama e respirei fundo. Por dentro, meu coração mais era um campo de batalha de sentimentos e minha cabeça pensava tanto e não pensava nada. Estava louca, mas não doía. Estava desesperada, mas com os pedaços perfeitamente colados. Incrível como você foi se desmanchando aos poucos junto com a sujeira que estava impregnada na calça. E mais incrível ainda, como você foi se desmanchando dentro de mim. Relaxei as mãos, deixei as moedas e o papel cairem e, enquanto faziam um pequeno ruído ao tocarem o chão, me joguei na cama. O sol me ardeu os olhos outra vez. E brilhou com uma luz que nunca brilhara antes. Não era incômodo, mas um convite em forma de luz. Um convite para algo que eu estava me desligando aos poucos. De repente me veio uma vontade de sorrir, de sentir, de amar, de viver... Me dei conta de que às vezes mantemos coisas que não nos são necessárias e que nos faz sentir quebrados em um milhão de pedacinhos presos dentro de um bolso. Acho que todos deveriam lavar as calças às vezes sem se preocupar muito com o que há dentro dos bolsos. Vai ver é só mais uma moeda ou um papel que um dia foi útil e hoje, apenas insignificante. Vai ver era mesmo só uma calça que estava suja e precisava ser lavada... De fato, fazia algum tempo que eu acordava me sentindo espatifada, quebrada em um milhão de pedaços, perto de não ser capaz de sentir mais nada. Mas naquele dia eu acordei completa e incrivelmente feliz.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

presente




Mas o que é isto? Um papel embrulhando o nada?  Mas ele sabia que eu tinha dessas coisas...
Procurou alguma pista. Encontrou uma carta no canto da caixa onde seguiu o embrulho. Segurou-a firme, olhou para o nada e então, após uma leve desconexão de tudo, resolveu lê-la: Este embrulho vai percorrendo cada centímetro da distância corporal que existe entre nós. Irá passar de mão em mão, mas de uma certa forma chegará das minhas às suas. E neste embrulho vai um presente estranho, simples e oculto, e espero que consiga fazer tua alma suspirar enquanto teus olhos se fechem sorrindo e teus lábios moldurem o mais perfeito sorriso. Seis anos se passaram e tão pouco lhe presentiei. Não foi por preguiça ou falta de dinheiro, nem mesmo por falta de tempo. Todos os presentes foram comprados, mas nunca enviados, porque nenhum nunca serviu. Porque nenhum era ideal o bastante para deslizar das minhas mãos e passar a ser seu. E eu sempre receei em guardar os presentes que lhe comprava e depois dizer sentir saudades e te amar muito. O que sempre foi verdade. E eu sorria toda vez que lembrava do seu rosto. Sorria toda vez que lembrava do tom da sua voz. Sorria toda vez que lembrava dos seus braços envolvidos em mim, me servindo de abrigo e proteção. Sorria toda vez que lembrava de você. E chorava em seguida, porque havia sempre uma necessidade nunca suprida. Neste embrulho estão todas as lágrimas, todos os sorrisos, todos os segundos desses longos seis anos. Pegue. Segure firme. Sinta. Porque era meu e agora lhe pertence. Porque eu precisava muito dividir todos esses anos regados à saudade contigo. Porque você sempre esteve cada segundo, cada momento junto de mim, então essas lágrimas também são suas e esses sorrisos também são seus. E junto deste embrulho vai parte da minha vida, parte de mim... Para que possas devorar e abastecer-se. Abastecer-se de amor. Porque sou toda tua e sou toda amor. Agora cheira o embrulho, por favor. Sentiu? Bom? Sabe, é cheiro de eternidade... Porque junto desta carta e deste embrulho vai ainda o para sempre que nunca deixou de ser possibilidade para nós. O seu presente então é esse: toda a minha vida e, não sendo bastante, toda a minha eternidade também.

terça-feira, 12 de outubro de 2010





Mas saiba que também já feri. E feri por não suportar a verdade que me estourava no peito em direção à boca. Feri por querer-te e querer-me verdadeiramente feliz. E por acreditar que não existe felicidade no quimérico, na mentira, na continuação tortuosa de uma ilusão.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

pedaço meu


A vida é feita de fases. Dia a dia. Tijolo a tijolo. Passo a passo. E nisso combino com a vida. Sou de fases. Ora uma, ora outra... várias. Mas várias de uma só. Tenho um corpo quieto que também segue a regra do dia a dia, tijolo a tijolo e passo a passo. Mas é movido por sensações, por sentimentos, por alma. E por ter esse combustível, às vezes quer ser ligeiro, correr contra o tempo, dar um passo longo demais. O que costuma me levar à queda e me atrasar um tijolo, um passo, um dia. Tenho essa mania de dona do meu mundo, essa impressão de pernas mais longas que o real e essa certeza de que vou dar conta sempre. Mas às vezes falho. Ou sempre... Ah se em mim aquietasse também essa pressa de viver... Essa vontade de abraçar o mundo e engolir a vida numa mordida só. Sou um pouco muito contraditória. Dia acordo morta, dia intensamente viva; ora harmonicamente flutuo com a música, ora prefiro indiscutivelmente o silêncio; as pessoas ora me dão prazer ora nojo; ora sou levada pelo medo, ora absurdamente impulsiva de tanta coragem... Mas, por favor, existe uma ponte enorme entre contradição e falsidade e que deve ser ressaltada. Se por um acaso me ver rir ou chorar, saiba que o faço com todos os músculos e todas as células que possuo. E o faço porque há a necessidade de fazê-lo. Só vou rir do que realmente me despertar vontade de rir e chorar do que realmente me ferir com alguma intensidade, seja
ela qual for. E para o meu silêncio e o meu não peço respeito, pois são, na maioria das vezes, palavras na ponta da língua ou um delicioso sim disfarçado, esperando apenas um pouco mais de vontade de quem os chama, um pouco mais de insistência de quem os espera. Porque às vezes dou um passo para trás por vontade própria. Para ver se o chão é seguro mesmo ou se é apenas mais uma armadilha no caminho da vida. Sem contar que sou mistério. Todos somos. E imensa... Ah, tão imensa que chego a me perder em mim mesma às vezes. Mas já tenho uma certa intimidade comigo mesma, e me encontro. Sempre me encontro.

prece

Coragem para eu suportar o aparentemente não suportável.
Coragem para eu fazer da dor apenas uma coadjuvante diante
de tanta alegria esperando pelo papel principal.
Coragem para eu dizer sim. Coragem para eu viver, meu Deus.

domingo, 5 de setembro de 2010

alma despida


Cada gota de chuva que cai sobre o meu corpo leva um pouco da casca que me protege e me deixa mais vulnerável, mais transparente. Só tenho medo da profundeza dessa transpareza. Dos lugares onde habitam os sentimentos mais secretos que ela pode revelar. Eu preciso do meu enigma, da minha pontinha de mistério para me ser.

sábado, 4 de setembro de 2010

(...) Mas teve uma noite em que você se recusou a ir lá. Mesmo sem saber que era para me inventar uma historinha como quando eu era criança. As lágrimas correram para os meus olhos com um gasto de apenas um segundo. Conversei mais rápido ainda com elas e consegui convencê-las de voltarem para onde vieram, mesmo que tivessem que se reproduzir e transbordarem em demasia  num momento futuro. Brotaram apenas duas lágrimas nos meus olhos: uma em cada olho. Dois poços de teimosia. Também pudera! olha só de quem tinham saído... Eu que sempre carregara uma pontinha de acidez, de gênio forte e teimosia. Perdoei-as, mas passei logo os dedos nos olhos para que sua teimosia não se transformasse em atrevimento e elas me escapassem pela face. Levemente me alegrei, porque minha mãe me havia recusado a vinda, mesmo sem saber para o quê. Disse que estava com alguma coisa no nariz que nem me preocupei em dar atenção, porque sabia que não se tratava de nada além de má vontade e preguiça de se levantar da cama quentinha num clima frio. Quão hipócrita eu seria se tivesse me revoltado quanto a isso. Não é que carrego má vontade comigo, mas uma preguiça que me enche e às vezes chega até a estourar. Já que minha mãe havia se recusado a ir até o meu quarto, me dar um beijo de boa noite e me inventar uma história - como fazia quando eu ainda era pequena -, resolvi inventar eu mesma a minha história. O beijo de boa noite me seria recompensado com uma leve cócegas aqui no meu peito, que me arrancaria um breve e profundo sorriso ao terminar a minha história. O boa noite eu desejaria aos pequenos pedacinhos da minha própria composição. Tanto corpo quanto alma dessa vez. Fiquei surpresa com a minha decisão de escrever a minha própria história. Dependência demais sufoca. Até se recusando minha mãe me ensinava algo. Conformada, girei metade de uma meia volta em direção ao meu quarto. Metade porque no meio do segundo ao fundo meu pai sussurrava alguma coisa. Voltei para ver o que era: ele pedira para que eu pegasse uma blusa para ele. Enquanto se acomodava, notei um grau de estresse no seu rosto sério e nos seus olhos nem um pouco relaxados. Dei um beijo em sua face e pedi para que se acalmasse. Por fim, consegui dar minha meia volta completa. Já estava atrasada para a minha história. Mas me havia esquecido de algo: era do beijo de minha mãe. Voltei e disse que ela não ganharia beijo, porque havia se prometido e depois se recusado a ir ao meu quarto antes de que eu adormecesse. A desculpa do nariz de novo. Agora sim: dei meia volta e segui rumo ao meu quarto. Meia volta que mais me pareceu uma volta inteira no meu imenso mundo. Refleti. Lá estava eu, agindo como eu agia quando era pequena, quando me negavam alguma guloseima. "Passado demais sufoca também, viu?!" Fiz questão de lembrar a mim mesma. Entrei no meu quarto. Me sentei. E aqui estou eu. Com a intenção de inventar uma história, tipo aquelas de Maria e Joãozinho que eram irmãos e iam passar as férias com a vovó no campo, como minha mãe me contava. Mas só me sai narração-descritiva de alguma coisa que me pesa aqui dentro. Só sai história de mim mesma. Mas, sabe, até que é bom. Gosto dessa liberdade de poder escrever o que quero e quando quero. Não tenho compromisso nenhum com ninguém além de mim mesma, e isso ajuda a aliviar. Ajuda a aliviar o peso dessa coisa que me pesa por dentro. Essa coisa sem nome, sem som e sem cheiro que convive comigo e nem me assusta mais. Agora com o peito um pouco mais leve até consigo sentir as cócegas, por dentro, que me compensam o beijo não sentido. Agora com a alma um pouco mais leve posso sentir a vida, esse substantivo complexo, carregado de magia. Dei um leve sorriso com os olhos fechados, como se estivesse em contato mais íntimo com o chamado interior e o superior que lá habita. E como se no silêncio de um segundo, agradecesse por tudo. "-Ai" - mais uma cosquinha aqui de lado. Acho que a história tem uma reticências aqui. Porque o ponto é um limitante de histórias que nunca se acabam verdadeiramente. Sempre tem um pó esquecido em algum cantinho, um cisco escondido nas entrelinhas ou até mesmo um gran finale que se perdeu em meio aos pensamentos rápidos. Então, boa noite...!

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

coragem algemada

Lambuso de água o rosto. Me encaro no espelho. Quantas fotos por trás desses olhos, meu Deus, nunca reveladas. E essas lágrimas secas, relembrando recomeços infinitos. Desço do salto, me jogo na cama, ligo a TV. Mais uma criança terrivelmente assassinada, por alguém que precisa de salto pra alma, suponho. Desligo a TV. Ligo novamente em mim, em algum canal falho, de zoeira insuportável, precisando de antena. Mas não quero antena. Desligo-me de tudo. Flutuo no nada. É então que você aparece, invade o meu quarto, pergunta se está tudo bem. Meus olhos me entregam: preciso de reparo. (mas se me amas, não me repare. me abrace, me beija, me toma em seus braços com o dobro do peso, pois me segure também à alma. mas me queira assim, faltosa, meio torta, sem reparo algum.) E você lê meu olhar, me abraça como quem não quer nada, aos poucos me toma em seus braços, me aperta, me beija, me abriga, me tem. E deixa sua voz solta pelo ar, dizendo que sou apenas uma alma tentando se costurar, mas que, por tentar, acabou furando o dedo com a agulha. A agulha é o mundo e eu com medo do mundo. O que é verdade. Sinto que estou sempre de malas prontas e nunca pronta para partir.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010


Não estranharia se daqui há algum tempo você transformasse esse momento tormentante em uma lembrança boa. Algumas lembranças se perdem pela vida. Outras permanecem intactas em nosso pensamento. Mas a maioria delas parece que são adocicadas com o tempo. Talvez por querermos mascarar o passado e tudo o que vivenciamos e nos enganarmos dizendo a nós mesmos que vivemos da melhor maneira. Ou talvez porque o presente não agrada muito, e para fugir dele, criamos um falso passado onde possamos nos esconder quando acharmos necessário. Talvez seja o auto amor, querendo anular o mal passado. Talvez seja o perdão. Porque não são apenas pessoas que devemos perdoar. Não nos alimentamos apenas de almas, mas também de sonhos, de flores, de vida. Tudo o que nos faz parte pode nos ferir. Até mesmo nós mesmos. E é preciso perdão a tudo. Me perguntaram um certo dia se eu era capaz de esquecer uma certa pessoa. Disse não ter certeza. Mas acabei percebendo que esquecendo-a, esqueceria a mim mesma. Porque somos feitos de somas. Somos um pedaço de cada momento e de cada alma que por nós passou nesta vida. E à medida que eu tentasse esquecê-la, me auto esqueceria. E como consequência fugiria de mim, me perderia. Então não. Não posso esquecê-la. Posso perdoar. Que é uma espécie de negligência do bem. Uma espécie de amor ao próximo. Uma espécie de amor à vida. Uma espécie de amor a mim mesma.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Certamente não sei como é perder alguém quando a vida estipulou o momento certo de ir e um não queria partir e o outro não queria que este partisse. Mas lhe garanto que sei muito bem como é perder alguém que tenha partido, porque... bom, porque simplesmente queria partir, enquanto o outro insistidamente e desesperadamente não queria que este partisse. Sei como é ver o sol se apagando, a lua desaparecendo todas as noites e as flores perdendo suas cores. Sei como é ver seu coração quebrado e estilhaçadamente afiado, cortando tudo por dentro. Sei como é dormir acreditando que nem o céu é o limite e acordar não podendo alcançar nem a si mesmo. Tombo. É como se nesse tempo você estivesse escorregando, caindo e se machucando. Uma dor diferente, interna e insopitável que te traz uma incontrolável vontade de gritar, mas você permanece muda e guarda o grito em alguma gaveta dentro de você. Por trás dos olhos uma tempestade incessante. Na frente deles um mundo que jamais a compreenderia.

domingo, 22 de agosto de 2010

Dentre tantas formas que uso para tentar entender um pouco as pessoas, uma delas é comparar as pessoas ora com livros, ora com leitores. Com livros porque carregam consigo histórias dos mais variados gêneros combinadas com mistérios, sonhos, vontades e emoções e tudo isso coberto por uma capa, o nosso corpo. Alguns livros interessam pelo nome, pela capa e pela propaganda, mas, são abandonados durante a leitura por terem um conteúdo que não corresponde às expectativas. Outros livros são aparentemente simples, mas possuem um conteúdo rico e surpreendentemente interessante. Lembrando sempre que um livro não deve ser julgado pela sua quantidade de páginas: alguns já foram terminados e são vagos, outros ainda estão sendo escritos e são recheados de sabedoria. Considerando também que o número de páginas possa representar uma vida, que não importa o quanto dure desde que seja intensamente vivida - ou lida. Quando não se é livro, se é leitor. Durante a sua vida você lerá alguns livros por interesse próprio, mas, sempre haverá aqueles impostos por terceiros. Agora olhe para mim e olhe para você. Eu posso não querer lê-lo porque seu nome não me agrada ou pelo formato e cor da sua capa e acabar perdendo uma história incrível, enquanto você pode se deixar levar pela minha aparente preciosidade e querer me devorar logo de uma vez, contudo, no fim do primeiro capítulo sentir uma vontade inquietante de me vomitar logo. Você vai se apaixonar por alguns livros e depois nem se lembrar direito do que eles se tratavam, mas, vai ter sempre aqueles especiais por perto - ou por dentro. E em alguns momentos você pode até sentir que esses mais especiais são apenas seus e de mais ninguém, mas perceber com o tempo que, assim como você conhece outros livros, não há nada de errado em deixar que outros leitores leiam seus livros também. Alguns livros podem ser jogados em chamas e se queimarem até não sobrar resto algum, outros podem se afogar e borrarem até não poderem mais ser lidos...
E um fato: não importa quão longo seja o livro, assim, como todos os outros, a história sempre terá um fim. E alguns permanecerão além de qualquer fim, eternizados dentro de seus leitores.

sábado, 21 de agosto de 2010

Sua partida doeu por dentro e por fora. E eu sentia como se meus músculos estivessem se comprimindo e eu, esmagadamente, ficando menor e mais frágil. Eu podia ver tudo ao meu redor. Podia ouvir as pessoas chorando e conversando em busca de consolo. Eu via e ouvia tudo, mas não conseguia assimilar absolutamente nada. Meus músculos me eram mais importantes que qualquer coisa vista ou escutada. Eu só queria sentir. Talvez sentir era o único verbo que me deixava mais próxima de você. E havia a sua falta. Mais uma falta para a minha vida. Mas essa era diferente, excruciante. Sua falta me pesava como o peso de todos os anos passados e os que ainda passariam. Me encomodava como a falta de um pulmão. Sim, um pulmão. Se me pusesse a reclamar a sua falta como se estivesse perdido o meu coração, talvez eu estaria morta naquele momento e não conseguisse perceber. Mas não. Eu tinha certeza de que estava viva. Aliás, meia morta e meia viva. Porque o fato de eu ter comparado sua falta com a falta de um pulmão, é que eu não tinha partido de fato, mas, sem poder respirar, partiria em breve.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Dizem que o começo do amor é mais doce, mais interessante. Normalmente dizem isso depois que começam a aparecer os defeitos, as ideias contrárias, as brigas e o tempo começa a despertar curvas - ou rugas. Certamente as estradas retas e sem quebra-molas seriam mais interessantes e mais fáceis de seguir. Mas que amor é esse em que não há compreensão para os defeitos nem respeito para as ideias contrárias? Que amor é esse que não traz consigo o perdão para reparar as brigas nem a coragem para passar pelas curvas? Coisas que só o tempo desperta e que seu amor, seu tão grande amor não é capaz de suportar. O verdadeiro amor vive entre voos e tombos e os tombos só impulsionam a querer voar mais alto. O falso amor
sempre quebra as asas no primeiro tombo e se sente incapaz de voar novamente. Já se perdeu no tempo a época em que beijos e carinhos eram sinais de amor. Hoje é necessário muito mais. São beijos roubados e carinhos comprados. Sem sentido. Sem amor. Sem nem um pouco de dor. Já cheguei a acreditar que o amor verdadeiro era aquele que te trazia paz, te dava carinho e te arrancava sorrisos e lágrimas de alegria. Aquele que jamais lhe faria chorar de dor. Aquele que jamais lhe faria soluçar nem lhe roubaria horas de sono ou de tranquilidade. Foi a época em que eu acreditava no aparente. Acreditava nos sorrisos e beijos sempre. A época em que eu estava completamente enganada. Hoje eu sei que o verdadeiro amor pode sim lhe
arrancar lágrimas de dor. Mas também sorrisos de felicidade - mesmo que momentanea. Vezes, você vai encostar a cabeça na parede, soltar um leve suspiro e ver que é ele quem te faz viver; vezes, vai lavar os olhos inchados e se encarar no espelho, pensando no tanto que você sofre por ele e se não seria mais fácil fugir logo de uma vez. E você se sente perdido em meio a uma contradição que foge do suportável. Mas vou lhe contar um segredo - nem tão secreto, mas que somos acostumados a varrer para debaixo do tapete - :"O caminho mais fácil nem sempre é melhor que o da dor." E isso sei que é verdade. Fácil é dar um abraço, um beijo, andar ao lado. Dificil é dar um colo, compreender e verdadeiramente amar. Que não me
confundam: Amor não é sofrimento. Mas mais sofrimento do que superficialidade. É contradição. É profundeza. E não há profundeza sem dor. Não há profundeza sem sorrisos salgadinhos. Tem muita coisa por aí títulada como amor que pode ser qualquer coisa, menos amor. E a humanidade está cada vez mais cega para perceber a diferença.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

inconstância

E eu tenho essa necessidade de tornar novo apesar da minha dificuldade em mudar. Mas estou em constante transformação: é que não reparo durante só reflito muito depois. O corpo nasce, cresce e morre durante uma vida. Mas e a alma? Quantas vezes tem de fazer isso? Sou alma e sei bem. Sei que há a necessidade de nascer, crescer e morrer - ou transceder - diversas vezes. Sei porque já morri de alma antes e ainda vivo. E às vezes sinto em mim uma pluralidade de cheiros, desejos e sons. Como se á mim cabesse todas as minhas formas e as formas de todo o mundo; a minha dor e a dor de todo o mundo; e a profundeza da minha e das almas de todo o mundo. Como se em mim houvesse muitas almas - apesar de somente uma - e um só corpo.
Muitas noites e um só dia. Muitas histórias e uma só vida. Sou dona de um corpo quieto e uma alma caleidoscópica. Pois meu corpo tem sede de viver e sabe que em alguma esquina haverá um ponto final.
E minha alma tem sede de eterno por saber que para ela sempre haverá uma reticências. Sou cheia de interrogações, exclamações, vírgulas, ponto-vírgulas, pontos e reticências... Mesmo que às vezes não saiba empregá-los como devido. Sou dona de uma alma em que às vezes falta uma vírgula aqui outra ali; e um corpo em que, às vezes, há vírgulas demais. E vou assim... tropeçando em meio às palavras, ligando o meu eu com o meu outro eu e os meus eus com o mundo.
Já fantasiei a vida demais. Tenho de mudar. Não digo que pararei de imaginar, sonhar e fantasiar... isso faz parte do pouco e muito que sou, não tem como mudar. Mas parei de querer a vida sempre do jeito que para mim parecia perfeito e passei a aceitar como ela é. Antes eu acreditava que os relacionamentos, mesmo parecendo que iriam durar muito, não davam certo porque a pessoa certa viera na hora errada. Eu mascarava a realidade. A pessoa viera na hora que tinha de vir mesmo, e talvez até fosse a pessoa certa, para aquele momento e nem um segundo a mais. Tudo perdura o tempo que deve perdurar e nem uma fração de tempo a mais. Mas a teimosia nos insinua a não aceitar e a forçar a durabilidade de nossos relacionamentos, como se a nós coubesse o direito de mexer no tempo e de fazer com que permaneça o que nos faz tão bem. O problema, é que mesmo que seja algo que um dia nos fez um bem incompreensível e que hoje nem faça tanto mais, irracionalmente nos prendemos à isso, porque estamos acostumados, acomodados. Porque mascaramos a realidade. Nos iludimos dizendo a nós mesmos que necessitamos daquilo. E na verdade não necessitamos. Sim, sei que são muito mais do que pessoas que perdemos. Perdemos sonhos imaginados, momentos planejados, perdemos o gosto... o cheiro... Mas levamos os momentos compartilhados, os sonhos vividos, o gosto provado e o cheiro sentido. É a perseguidora data de validade que tanto temos que respeitar. Se tentar-mos burlá-la, pode ser que a data de validade até se estique um pouco, mas os sonhos deixarão de fazer sentido, os momentos se perderão de forma drástica e contínua, o gosto não será mais tão doce e o cheiro embrulhará pouco a pouco o estômago até que a realidade arranque toda a máscara. E aí, você percebe que está tentando lutar com um poder que não está ao seu alcance, e tenta mascarar a realidade outra vez... e assim vai se iludindo... mas você não pode fazer nada em relação ao tempo que perdeu.

domingo, 9 de maio de 2010

Mas é que todos querem os amores sempre calmos e serenos, e os amigos sempre alegres e presentes. Querem buscar algo em que acreditar que seja concreto. Algo que vá sempre de acordo com suas verdades e suas vontades. Algo que os façam entender a vida, a existência, tudo. Buscam algo que faça impressionante sentido e passam a acreditar no que descobrem. Sem saber que é o mistério sobre o mundo e sobre nós mesmos, que carregamos desde quando nascemos, que faz tudo tão perfeito. Não buscam a verdade, mas a
sua verdade. O que é certo é o que todos acreditam, é o que convém ser. Sendo assim, atrevo-me a querer sempre o errado. Não sei o porquê mas não é de meu costume admirar o concreto, o aparentemente perfeito, o que sempre faz sentido, os amigos sempre felizes e presentes, nem mesmo os amores sempre calmos e serenos. É que já provei o intenso e devastador, e curioso: também me era vital.
Desconfio do que é sempre perfeito e aceito facilmente. E se você não precisasse de mim, ainda assim seria capaz de me amar? Quero cegamente acreditar que sim. E quanto à minha verdade: é a nossa imperfeição que por momentos sorteados nos faz sentir o responsável gosto da perfeição. O doce gosto do que é eterno mesmo que mortal. Gosto que por vezes sinto nos lugares e coisas menos prováveis. É que mesmo sem saber o porquê, o que não pode ser entendido sempre me agradou muito.E hoje não queria nada além da certeza de que você estaria ali, sempre me apoiando. Mas parece que o meu conceito de perfeita imperfeição anda me perseguindo mais do que deveria. Minha sentença é a aceitação. Mas sou teimosa. E eu, dona de um corpo quieto e uma alma caleidoscópica, me pego muitas vezes a sentir uma intensidade incabível em mim que nem sempre sei onde pôr. E apesar de um interior de extrema imensidade, não há espaço.
É então que minha intensidade começa a transbordar. Por vezes, transborda pelas minhas palavras. Por outras, pelos meus olhos. E isso sempre me pareceu perfeitamente imperfeito.

sábado, 8 de maio de 2010

Do que fomos só me restara o gosto amargo debaixo da língua como um comprimido que não se consegue engolir. Pensei que após a tempestade não restariam mais lembranças, mas ainda restara esse seu gosto que tantas vezes provara e insistira em torná-lo doce. Talvez mais um pouco de água misturada com tempo ajudava... Mas nem mesmo isso foi necessário: seu gosto foi entrando em mim pouco a pouco com a própria saliva que naturalmente eu insistia em engolir. Fez uma pausa rápida pela minha garganta e apertava, e puxava, e destroía. Coloquei minhas mãos sobre a garganta e engoli com força...
Seu gosto percorreu meu corpo, queimando cada lugar por onde passava, despertando em mim uma agonia quase que incontrolável. Me dobrei um pouco e com meus braços apertei um pouco sobre o meu estômago. A cada gemido, uma lágrima. Quanto mais eu apertava, mais doía. E encomodava. Ah, como encomodava... Talvez porque seu gosto tinha se localizado não no estômago, mas no coração. Tanta dor que já não era mais capaz de suportar. Com os olhos fixos ao chão, me joguei sobre a cama com a gota de força que ainda me restava.Com uma mão continuei apertando sobre meu estômago e com a outra segurava forte a fronha do travesseiro, a ponto de começar a rasgá-la -- é que tinha essa mania de fazer doer por fora para amenizar o que doía por dentro --, alimentando a ilusão de que minha dor passasse. A dor não passava nunca. Talvez ela não estivesse no estômago mesmo, mas no coração. Onde qualquer toque é vão. Em profundo delírio e um pouco fora de mim -- seu gosto viera como uma droga das mais destruídoras --, consegui me lembrar de que era março, tardezinha, o sol ainda se punha no horizonte... quando dei meu coração à ti. Sim, dei. E desde aquele momento não me deixaste em paz. Nem que seja com um simples e devastador gosto amargo que me queime internamente e inteira. Pude ver que viestes buscar o que um dia lhe prometi... Que sem palavras essa minha atitude! Como pude jurar minha vida à ti? Como pude entregar-te o que tanto necessito para continuar vivendo?
Ora, veja só eu... me pedindo explicações como se coubesse a mim tais decisões. Como se me fosse possível não entregar-me a ti. Já dissera antes que não podia mudar o que à mim era destinado. Acontece que também não podia suportar mais esse seu gosto. Foi então que apertei os olhos tentando afastar minha visão embaçada e para, assim, poder me avistar melhor no espelho da cabeceira da cama. E de repente, mais um impulso gritante pela urgência que em mim se criava: dei três palmadas em cima do peito enquanto meus olhos se enchiam de lágrimas. Pronto. Me rendi. E enxugando meus olhos cansados com a ponta dos dedos trêmulos, os fechei pela última vez.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

E eu sentia a minha vida partindo aos poucos como uma garrafa de refrigerante meio aberta perdendo seu gás. Mas eu ainda corria para ver o avião dar a volta ao céu. Ainda sorria para as estrelas todas as noites - até mesmo nas noites em que não as via. Ainda saia correndo para o portão com os olhos brilhando quando passava o rapaz do algodão doce. Ainda carregava um brilho dentro de mim que refletia nos meus olhos. Um brilho de quem sente, de quem sonha. Um brilho de criança. Eterna criança. E talvez fosse o meu tesouro. O que tanto temia perder. Que eu continue me perdendo e me buscando, sempre! E que junto comigo, eu descubra a cada abrir dos olhos um motivo para sorrir, para viver... ou quem sabe, para chorar. Que meu ar se escape devagarinho, que me brilho se vá de pouquinho em pouquinho... Porque existo e não posso fugir de um fim. Só desejo que eu me perca bem devagarinho; que eu me escape a cada dia só um pouquinho... Até o dia em que meus olhos se fechem para sempre; que meu ar totalmente partido de mim, esteja longe, espalhando o perfume das flores entre os que ainda caminham e minha alma se encontre calada, costurada, aberta e remendada. Até o dia em que eu me sinta uma garrafa completamente sem gás. Ou não sinta mais nada.

domingo, 2 de maio de 2010

Acredito em paixão à primeira vista, atração à primeira vista... mas amor, nunca. O amor, o verdadeiro amor, só existe depois de um certo cuidado, um certo regado de tempo em tempo. Não que ele não possa surgir de pouco nem em pouco tempo, mas não tente colher um amor verdadeiro plantado apenas com um olhar. E se tentar, conte-me depois quantos olhares ele foi capaz de durar.
Eu sou assim e eu não posso fugir de mim. Não posso fugir do que está escrito, do que está programado para mim ser. Sou inconstante e profunda mesmo que quieta. São poucos os que permito que me conheçam mais profundamente. A maioria me vê apenas como uma brisa a passar e que nem mesmo os cabelos sou capaz de fazê-los dançar. Mas não duvide que eu o possa fazer e de maneira tão intensa: a desconfiança me irrita e me impulsiona em demasia. Não achar a menor graça no que deveria me fazer rir. Não sentir o mínimo interesse possível no que certamente me interessaria. Sentir falta real do que me foi permitido apenas sentir, sonhar e imaginar...  Tempo, sois o mesmo para mim e para os outros? Enquanto todos se preocupam em viver, intensamente, cada minuto das maneiras mais bizarras possíveis apenas para se lembrarem de que viveram, eu passo a maioria dos meus minutos quieta, viajando em mim e nas simplicidades do mundo, imaginando alguém... como se o meu tempo fosse infinito e eterno.
- Mas você tem que aproveitar mais.
- Quem lhe disse que não aproveito? Aproveito sim.
- Mas não sai para se divertir, para conhecer o mundo, as pessoas, aproveitar enquanto está nova.
- Não sabes o quanto eu me aproveito, não sabes o quanto é bom estar sozinha e em silêncio e me conhecer. Me ponho a perguntar-te então: quão interessante pode ser uma vida em que saias, divirtas, se "acabes", conheças pessoas demais, lugares demais e sequer conheças a ti mesmo? Porque é assim que muitos consideram viver. Chegam até mesmo a valorizar aqueles que sorriam a todo instante e cultivam milhares de amigos, como se não bastasse, desprezam a solidão. Ah, como eu gosto da solidão. Se é que assim a posso nomear. Solidão é se sentir sozinho e perdido. Sempre tenho a mim como companhia, e é glorioso conversar comigo mesma e conhecer um pedacinho novo de mim. Quanto ao perdido... minha lástima aos que nunca se perderam e precisaram se achar. - dei um leve e demorado suspiro enquanto uma borboleta pousava de leve sobre a minha mão, e sorrindo, continuei: Sem sombreamento de dúvidas... eu vivo! E se aparentemente sou nova, isso é apenas um detalhe. Cada idade carrega consigo suas alegrias e suas dores, cabe a cada um o proveito retirado delas.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Ela já havia se acostumado com a sua imaginação, desde o dia em que ele se foi. A sua imaginação estava sendo, talvez, a sua maior companheira naqueles meses. Todos os dias e em todos os momentos ela a pertubava e a levava até ele. As palavras e o jeito dele eram sempre os mesmos, porque eram moldados em lembranças. A imaginação dela ainda não era boa o bastante para descobrir se ele tinha mudado e em quê. Talvez ela não pensasse nele, mas em alguém que um dia, de certa forma, esteve com ela. Talvez ela não se imaginasse com ele, mas com alguém que um dia ela pode sentir em cada milímetro do seu ser. Por alguns dias, sua imaginação a dava um certo descanço; por outros, tomava conta dela sem pedido de licença qualquer. A dominava, a possuía... Não que isso seja uma coisa ruim: ela nunca tivera problemas visíveis com o fato de imaginar em demasia, mas, já fazia um certo tempo que sua imaginação, incompreensívelmente, não pensava em nada mais além dele. E a ausência dele, transparente na alma, refletia em cada segundo de sua imaginação, em cada segundo de seu pensamento. E o fato de não o ter mais doía, doía... Ela fechava os olhos com força e os apertava mais forte ainda, enquanto encravava suas unhas na própria pele, tentando fazer com que a dor de seu corpo tornasse desprezível a dor que se espalhava na sua alma. Tudo em vão. A dor amenizava e depois... retornava. Quem dera ela saber que ele, um dia, também retornaria... Ela se sentia pequena, capaz de escolher até mesmo a morte ao fato de conviver com essa sensação atormentante e frustrante que é saber que ele está em algum lugar e aceitar que, inutilmente, não há nada de que ela possa sequer pensar em fazer.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Fico me perguntando se a vida na terra não seria uma forma de escola, de preparamento... para que quando a nós couber a eternidade, já sabermos o valor das coisas porque um dia já as havíamos perdido e descoberto seu valor após a perda. E na eternidade, então, caberá a essas coisas seus devidos valores. Porque talvez, se hoje agimos como se fossemos ter tudo para sempre,
na eternidade, além da certeza do 'para sempre', não haverá 'para sempre' que nos acomode; e agiremos como se fossemos perder tudo no seguinte piscar de olhos.

domingo, 18 de abril de 2010

Não diga as coisas com pressa. Mais vale um silêncio certo que uma palavra errada. Demora naquilo que você precisa dizer. Livre-se da pressa de querer dar ordens ao mundo. É mais fácil a gente se arrepender de uma palavra que de um silêncio.
Palavra errada, na hora errada, pode se transformar em ferida naquele que disse, e também naquele que ouviu. Em muitos momentos da vida o silêncio é a resposta mais sábia que podemos dar a alguém.
Por isso, prepara bem a palavra que será dita. Palavras apressadas não combinam com sabedoria. Os sábios preferem o silêncio. E nos seus poucos dizeres está condensada uma fonte inesgotável de sabedoria.
Não caia na tentação do discurso banal, da explicação simplória. Queira a profundidade da fala que nos pede calma. Calma para dizer, calma para ouvir.
Hoje, neste tempo de palavras muitas, queiramos a beleza dos silêncios poucos.


(Pe. Fábio de Melo)


sábado, 17 de abril de 2010

Aqui e sinto como se pertencesse a outro lugar.
Um lugar distante, presente na imaginação apenas.
Não pertenço a aqui, não pertenço à lá.
Pertenço a um mundo. Mas não um mundo qualquer.
Pertenço ao meu mundo.
E nele crio e recrio, e uso o coração como diretor de criação.
No meu mundo não há ideais frustrados, mas meus sonhos em ação.
Se no meu mundo eu caio, depois eu levanto e sigo em frente...
Mal me levanto e o vento já pode me atingir.
E de repente me surpreendo: meus pés já não atingem mais o chão.
E pelo vento eu vou... Viajo pelo meu mundo...
Nele o tempo é infinito. Nele o amor é sempre verdadeiro.
Nele a doçura brilha dos olhos e reflete em qualquer gota ou grão.
O vento me traz de volta. Mas ainda sei que não pertenço à aqui.
Pertenço ao céu: feita de pedacinhos de estrelas e de luz.
Pertenço ao infinito: respiro eternidade a cada segundo.
Pertenço aos meus sonhos - ainda que me escapam entre os dedos como o ar que me circula.
Mas ainda assim tem uma parte de mim que grita de um lugar distante, desconhecido, sem nome.
Sou dividida entre o meu eu partido, o meu eu sonhado e o meu eu vivido.
Entre meus lugares e meus eus, me belisca a pele uma leve angustia.
Pois sei que ao meu mundo pertenço e sei também que sou.
Mas meu mundo não tem nome, nem eu.
O infinito e a alma escapam de qualquer descrição.

domingo, 11 de abril de 2010


E eu abria os olhos e voltava, confiante, esperando o suficiente que nunca chegava.
Tudo sendo escrito e eu fingindo não saber ler. É que eu queria mesmo acreditar. Eu ia de encontro a realidade. Sempre permitia uma nova chance e no final era apunhalada pelas costas. A história muda, mas o final sempre me persegue. Nunca quis muito além do sincero brilho nos olhos, do sincero sorriso nos lábios e de um abraço sincero que fosse capaz de me levar a outra dimensão.
E eu acreditava que era assim, mas hoje vejo que não. Não mais. Eu fui capaz da segunda, da terceira, da quarta e de quantas chances fossem necessárias atrás da tão esperada felicidade. Mas na primeira curva, começava a chover, e a tempestade sempre era mais forte. Para mais uma chance preciso do brilho dos seus olhos, do seu sorriso e do seu abraço; preciso de você "aqui" bem junto de mim. Mas acho que você não pode compreender minhas palavras.

quinta-feira, 1 de abril de 2010


Sonhei que eu abria um potinho e dele saiam todas as palavras de que precisava. Algumas se uniam e, juntas, expressavam perfeitamente o que sinto por você. Diziam o quanto te amo e o quanto você representa. Outras se uniam e formavam o mais belo texto de agradecimento. Agradeciam por cada fralda trocada, por cada voltinha de bicicleta, por cada segundo que você passou insistindo com que eu aprendesse o alfabeto ou a tabuada, por cada olhar que silenciosamente dizia: -"Eu estou aqui por você", por cada gota de suor, por cada abraço, cada beijo, cada sorriso. Agradeciam por tudo isso e muito, muito mais. Outras palavras, saíam incansávelmente em busca de outras para que juntas, pudessem dizer o quanto você é importante, especial e essencial na minha vida. Agradeciam por ter me dado a vida e por cada minuto que você se esqueceu da sua para se lembrar da minha, ou melhor, para se lembrar da sua mesmo, porque talvez, por momentos, você sentisse como se eu fosse a sua vida. O pote ia se esvaziando e as palavras, cada vez mais frases formando. As que restaram, eram o resto, mas não menos importantes. Diziam, então: -"Eu te amo, pai, por completo. Amo teus defeitos e tuas qualidades. Amo teus braços que tantas vezes me serviram de abrigo; tuas mãos, que sempre se esforçaram para me guiar; também -- sabe quando você me olha e sorri daquele jeito que só você sabe fazer? quando você solta uma gargalhada de leve e seus olhos até se fecham? me faz esquecer tudo, tudo! qualquer mágoa, qualquer dor. -- amo te ver sorrir; ah, como eu amo te amar." :) Pronto! Lá se foram as palavras... Ah, queridas palavras, esvaziaram um pote inteiro tentando o amor explicar. Mas, na ilusão de explicá-lo, se esqueceram de que o amor não se pode explicar. Que o amor nasce, cresce e permite apenas que o sintamos, nada mais. Nem mesmo uma infinidade de potinhos de palavras descreveriam o que sinto por você, o que você representa e o quanto sou grata à ti.

*

Eu tenho tanto pra lhe falar
Mas com palavras não sei dizer
Como é grande o meu amor por você

E não há nada pra comparar
Para poder lhe explicar
Como é grande o meu amor por você

Nem mesmo o céu nem as estrelas
Nem mesmo o mar e o infinito
Não é maior que o meu amor
Nem mais bonito

Me desespero em procurar
Alguma forma de lhe falar

Como é grande o meu amor por você
Nunca se esqueça nenhum segundo
Que eu tenho o amor maior do mundo
Como é grande o meu amor por você.


*

Parabéns pela vida, pai! Que venham muitos e muitos anos, cheios de abraços, lágrimas e sorrisos. Que venham muitos e muitos anos repletos de paz, saúde e amor. E que nunca nos esqueçamos que há uma força maior que nos guia sempre: Deus! E não se esqueça de que dores e dificuldades fazem parte da vida e a torna humana; mas, que a esperança e a fé são necessárias para torná-la feliz. ♥

sábado, 27 de março de 2010















E a cada tarde fria que se passava, diminuia a minha vontade quase que incontrolável de você. Ao café, não restava mais tempo para se esfriar enquanto minha alma adormecia tentando viajar até você e te trazer pra perto. Ela não te buscava mais. Sua lembrança era nítida em alguns versos, alguns gestos e até mesmo nas estrelas - as quais olhava incansávelmente todas as noites. Tudo isso me trazia à mente, vagamente, você. Mas é estranho como você passava tão rápido; como um vento que viesse, me tocasse e depois partisse. Uma tempestade transformada em brisa. Não estava mais disposta a passar horas pensando e, muitas vezes, chorando por você, minha estrela perdida. O tempo transforma tudo e aos poucos você vai dando uma segunda chance à você mesmo. As lágrimas se cansam de cair sempre por um mesmo motivo e parece que "se secam". Mudança. Os gostos, os costumes, os lugares, as vontades, os amores... mudam. Mas há uma coisa que nunca muda: a essência. Os medos, as inseguranças e os nossos segredos mais secretos sempre continuam dentro de nós e só percebemos isso quando crescemos e então, olhamos para trás. Isso faz entender um pouco a necessidade da mudança nas nossas vidas, que, apesar de muitas vezes difíceis de se fazer, sempre, sempre abrem novos caminhos, nos permitem respirar novos ares e nos dão a possibilidade de nos encontrarmos um pouco com nós mesmos, prestando atenção nas cascas que perdemos ao longo do caminho.

*
*

"Quando a vida lhe oferece um sonho muito além de todas as suas expectativas, é irracional se lamentar quando isso chega ao fim."

*

Eu repetia isso incansávelmente para mim mesma tentando encontrar a maneira mais fácil de me conformar com tudo. Conformar e aceitar as coisas que por algum motivo, aparecem e partem, mesmo quando tudo o que menos queremos é que elas se vão. Talvez, você fora mesmo um sonho e me fizera sentir algo que jamais imaginara sentir. Mas tudo se transforma, tudo um dia se vai, e você também se foi. Não trago comigo o lamento, mas a saudade, que pesa, pesa e pesa cada dia mais.

sexta-feira, 12 de março de 2010


And all the roads we have to walk are winding
And all the lights that lead us there are blinding
There are many things that I would like to say to you
But I don't know how

Because maybe
You're gonna be the one that saves me
And after all
You're my wonderwall

Wonderwall - Oasis ♪

domingo, 28 de fevereiro de 2010



Por favor, alguém me ensina como descrever a felicidade?
É incrível como quando estou chateada, angustiada, me dá uma vontade quase que ivencível de escrever, de desabafar com um pedaço de papel. Para que como se a medida que eu fosse escrevendo, fosse aliviando um pouco a dor. Como se a medida que eu fosse escrevendo, fosse desacorrentando um pouco a alma. Isso é comum, porque na maioria dos dias me sinto assim e sinto essa necessidade de escrever e arrancar um pouco do peso que a alma carrega. Mas e em dias como hoje? E em dias em que a tristeza simplesmente desaparece e dá lugar à felicidade? É como se ser feliz já me ocupasse por inteiro e não sobrasse tempo algum e muito menos me aparecesse necessidade alguma de escrever sobre isso. Como se ser feliz me esgotasse todas as forças. Um sorriso basta. Ter você, mesmo que de longe, basta. É como se desaparecessem as incertezas e os problemas se transformassem de tempestades, em pequenos chuviscos, batendo e molhando a janela do meu quarto. E eu olho através dela. Vejo o céu, vejo a pequena chuva se derramando, vejo o vento balaçando as folhas das árvores e tudo, tudo me faz lembrar você.
O dono da minha felicidade. A pessoa que anulou minha ansiedade e minha angústia. Sei que preciso delas para me sentir mais próxima de mim mesma às vezes, mas, não consigo desperdiçar esses pequenos momentos por nada. Momentos que parecem como se os pedaços de um diamante que se encontravam estilhaçados ao chão se juntam novamente, e brilham. Brilham tão intensamente que afastam qualquer tempestade que possa levar o brilho deles pela correnteza, e tornam mais próximos os pequenos chuviscos; aqueles que apenas lavam e destacam ainda mais o brilho já existente no diamante. E é então o momento em que decido sair pela minha porta e ir sentir os pequenos chuviscos que molham tudo lá fora. Gosto quando ainda perto da porta, onde a chuva não atinge, do barulho de caminhar sobre as folhas secas.
E gosto mais ainda, quando estou debaixo dos pequenos chuviscos que derramam do céu. É como se dançando sob a chuva, resgatasse um pouco o brilho do diamante que existe em mim. O diamante que por momentos penso que já perdeu o seu brilho e qualquer luz que pudesse ter. Mas então é quando você aparece e traz o aparentemente perdido. O aparentemente perdido de que tanto preciso. E talvez por isso seja tão difícil descrever certos sentimentos, certos momentos e certas pessoas. Talvez porque ocupam todo o ser e a alma de nada mais necessite. É tão bom se sentir completo, sorrir com os olhos, com a alma e com o corpo todo. Sem precisar fingir e sem se preocupar se o sorriso estampado está bom o bastante para esconder o buraco lá de dentro. Buraco de onde sai o eco de quando a alma grita, mas que nesse momento está calma, feliz e ocupada demais para poder pensar nos pedaços que às vezes se estilhaçam ao chão.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010


Me lembro de alguns anos atrás, quando meus pais chegavam perto de mim e diziam: "Filha, você tem que comer isso. Faz falta pra você. Você está em fase de crescimento". Eu entendia o que eles estavam dizendo. Sabia - apesar de não comer - que comer certas coisas era necessário para que meu corpo crescesse forte e saudável. Mas isso era apenas uma ordem, um conselho, uma lição, ou um simples dito.
Se eu fizesse um resumo da minha vida em um ano, e no próximo ano fizesse outro, o segundo seria, com certeza, muito diferente. Mas tenho dia a dia me livrado disso. Faz algum tempo que tenho percebido um crescimento em mim. Determinado por outros tipos de alimentos. Um crescimento interno, de caráter. Como se estivessem se firmando meus gostos, minhas ideias e minhas opiniões. Como se cada decisão que eu tome, seja tomada por minhas opiniões que vêm se solidificando. E enquanto me solidifico em algumas coisas, deixo outras evaporarem. Coisas, que hoje percebo que não são precisas para tipo de crescimento algum. Deixo evaporar as decepções passadas, os sonhos interrompidos, as vontades frustradoras, as dores suicidas. Deixo evaporar tudo o que faça com que eu me sinta menor do que realmente sou. Sinto profundamente minhas mágoas - preciso delas para sentir a mim mesma -, mas sei bem o ponto de deixá-las evaporar também; antes que tudo se exploda e sobrem apenas cacos.
Tenho escolhido mais a qualidade do que a quantidade. Independente de que setor da minha vida - mas até que nesse sentido sempre fui assim. Quem me conhece, sabe: não sou de muitos amigos. Talvez pela minha timidez. Sou tímida pelo castigo e pela glória. Pelo castigo, ser tímida me priva de muitas coisas e me traz a necessidade de precisar me sentir segura para ser eu mesma. Pela glória, poder, talvez, me mostrar intensamente para as pessoas que merecem e têm paciência. Isso já afastou de mim pessoas que não me fariam bem algum, pessoas que talvez se aproximassem por algum tipo de interesse (e de falsidade já me fartei faz tempo!). Foram evaporadas da minha vida sem que eu fizesse esforço algum.
Talvez seja isso que chamam de adolescência: o caminho para poder escolher ser sim ou não e nunca talvez. Poder parar e refletir cada passo que você dá, em caminho ao seu destino, em caminho à você mesmo. É se entupir de opiniões, de extremos e de verdades - e ainda assim ter medo da verdade. É ir de corpo, alma e suspiros. É se dar por inteira e deixar evaporar os mais ou menos.
Há um dia atrás, comecei a expor algumas insatisfações minhas, que tenho de mim mesma. Reclamei de mim, quase tudo o que queria reclamar. Disse o que me deixa pra baixo e o que poderia mudar. Meu pai não hesitou: "CRIANÇA!". Talvez eu seja mesmo. (ainda carrego em mim a alegria de querer ser sempre feliz.)E eu - como qualquer pessoa -, tenho minhas insatisfações com o mundo e comigo mesma. Não me importo se querer realinhá-las para me sentir melhor pareça infantilidade. No entanto, me preocupo com os quebra-molas no caminho. Tem um lado de mim que nunca vai crescer: que sempre fará escolhas e decisões por impulso. E esse lado, pode fazer com que eu deixe ao longo da minha história, evaporar mais do que o necessário. Pode ser que ele faça com que eu torne sólido, algo que não deveria ser. Mas posso ter sorte também.

*
*

Como dizia Clarice: "Deverei continuar a acertar e a errar, aceitando os resultados resignadamente? Ou devo lutar e tornar-me uma pessoa mais adulta? E também tenho medo de tornar-me adulta demais: eu perderia um dos prazeres do que é um jogo infantil, do que tantas vezes é uma alegria pura. Vou pensar no assunto. E certamente o resultado ainda virá sob a forma de um impulso. Não sou madura bastante ainda. Ou nunca serei."

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010


Já faz algum tempo que uma parte de mim se desprendeu do mundo, das coisas e das pessoas. Talvez não tenham se desprendido totalmente, talvez estejam, ao contrário, muito mais ligadas à tudo isso, observando tudo, silenciosamente, de dentro de mim. Há algum tempo tenho vivido no meu interior, e percebi que: sentir nunca foi tarefa fácil pra mim. Sentir, pra mim, sempre foi algo muito complexo e muito profundo. Eu nunca precisei de muito para sorrir, mas também nunca precisei de muito para chorar. Joias, diamantes e carros adicionam, mas não completam. Nunca precisei disso para sorrir. Mas sentiria falta se não acordasse cedo para ver no céu - um pouco ainda escuro -, o sol surgir; se não admirasse as estrelas todas as noites enquanto o vento melódico das árvores toca minha face; se não tivesse momentos em que parasse e ficasse somente observando as pessoas, os animais, cada movimento, cada palavra; sentiria falta se não pudesse ouvir um eu te amo de pessoas especiais ou se não pudesse ver essas pessoas sorrindo ... Isso sim me faz bem. Isso sim me faz sorrir; com o corpo e com a alma. Quanto ao que pode me arrancar lágrimas, não cito: tapas, tropeços e arranhões exteriores, cito palavras. Palavras parecem simples - e são -, mas o simples sempre me atingiu intensamente, e com as palavras não poderia ser diferente. Elas conseguem ir fundo, em lugares dentro de mim que até no momento desconhecia a existência. Agora sim, cito: tapas, tropeços e arranhões interiores. Já sofri várias decepções, pequenas às vezes, e nem por isso menos intensas. Já me entreguei muitas vezes à lembranças - não boas - que por motivos desconhecidos fiz questão de guardar. Já desconfiei em amor à distância e incrívelmente foi pelo qual eu mais sofri - e ainda sofro. Já deixei de fazer coisas que queria muito, pela pior corrente inimiga que me acompanha: medo/insegurança. Já depositei planos e sonhos grandes demais em cima de pessoas que convivo e em cima de mim mesma; e talvez, por ter esperado tanto - porque sonho muito, muito mesmo! - as coisas não tenham parecido tão boas quanto realmente foram. Já passei noites em claro me agoniando, inquieta e chorando por alguém. Já fui derrubada muitas vezes e prometi a mim mesma levantar mais forte. Mas quando levantei, a realidade foi outra: eu estava a mesma menina frágil e sonhadora de sempre. Apesar da vontade, às vezes, de ser dura e fria, sou dona de um coração mole, que mesmo estando mais forte após cada decepção, está sempre disposto a sorrir, a amar e a sonhar novamente. E pelo que conheço de mim hoje, sinto que vai ser sempre assim...

domingo, 7 de fevereiro de 2010

- Fragmentos de Filmes -

"Comprovei que tudo que já foi escrito sobre o amor é verdade. Shakespeare disse: "as buscas terminam com o encontro dos apaixonados". Que idéia maravilhosa!! Pessoalmente, eu nunca passei por nada parecido com isso. Mas estou convencida de que Shakespeare já. Suponho que penso no amor mais do que deveria; me admira o grande poder do amor em alterar e definir as nossas vidas. Shakespeare também disse que o amor é cego. Isso sei que é verdade. Para alguns, sem explicação, o amor se apaga. Para outros o amor se vai.. ou brota quando menos se espera, mesmo que seja só por uma noite.No entanto, existe outro tipo de amor. O mais cruel... aquele que quase mata suas vitimas. Chama-se "amor não correspondido". E nesse tipo, sou experiente. A maioria das histórias de amor falam das pessoas que se amam mutuamente. Mas, o que acontece com os demais? E as nossas histórias? Aqueles que se apaixonam sozinhos? Somos vitimas de uma relação unilateral. Somos os amaldiçoados dos amantes, somos os não amados. Os mortos vivos, os deficientes sem estacionamento reservado..." O Amor Não Tira Férias

“Eu sei como é se sentir extremamente pequena e insignificante e como isso dói em lugares que você nem sabia que tinha em você. E não importa quantos cortes de cabelo você faça, quantas vezes vá a academia ou quantas garrafas você toma com suas amigas, você continua indo pra cama todas as noites... repassando todos os detalhes e se perguntando o que fez de errado ou como pôde ter entendido errado... ou como por aquele momento pensou que era feliz. Até se convence que um dia ele irá se arrepender e virá bater na sua porta…e depois de tudo, ainda que essa situação tenha durado muito tempo, você vai para um lugar novo e conhece pessoas que te fazem sentir útil de novo... e vai recompondo sua alma, pedaço a pedaço... e toda aquela confusão, os anos desperdiçados da sua vida começam a desaparecer...” O Amor Não Tira Férias

"A gente procura um analista em busca de definições. E depois de quase 3 anos juntos você descobre, que não há definição. Vida é falta de definição. É transitória mesmo. Agora eu entendi. Não tem a portinha certa. Não tem o mapa da mina. O mapa muda toda hora. A mina pode explodir a qualquer hora e qualquer lugar. Não é assim? Acho que eu vou te dar alta! Porque eu nunca vou estar pronta. Tudo que eu preciso é conviver bem com meu desalinho, com minha inconstância e com as surpresas que a vida traz. Ah, por falar em surpresas, estou adorando os quadros que estou fazendo. Tá sendo uma terapia pra mim. De resto Lopes, a vida continua. O sol continua manchando a minha pele, meus filhos continuam me dando trabalho. Mel Gibson? Continua firme e forte na minha imaginação. Tá rindo? É sinal que a minha vida tem graça. Porque agora eu sei, se eu tive problema um dia, não foi por falta de felicidade, não foi mesmo!" Divã

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Quem sabe um dia suas palavras não me afetem mais. Mas enquanto elas insistirem em arranhar minha alma, escreverei. Há coisas que não desejaria ouvir, mas, além de ouvi-las, minha alma ainda insiste em gravá-las aqui dentro. Porque ela sente como se tivesse sido atingida por uma flecha bem no meio do peito e escrevendo, é como se amenizasse um pouco a dor dessa ferida. Quem sabe um dia suas palavras não sejam mais capazes de me ferir a alma; ou quem sabe um dia, minh'alma não suporte mais feridas, e escrever não tape mais buraco nenhum; e escrever não amenize mais dor nenhuma.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010


Hey dad look at me
Think back and talk to me
Did I grow up according to the plan?
And do you think I'm wasting my time doing things I wanna do?
But it hurts when you disapprove all along

And now I try hard to make it
I just wanna make you proud
I'm never gonna be good enough for you
I can't pretend that
I'm alright
And you can't change me

'Cause we lost it all
Nothing lasts forever
I'm sorry
I can't be perfect
Now it's just too late
And we can't go back
I'm sorry
I can't be perfect

Nothing's gonna change the things that you said
Nothing's gonna make this
right again
Please don't turn your back
I can't believe it's hard
Just to talk to you
But you don't understand ...♪

sábado, 30 de janeiro de 2010

Sinto falta mas não sei ao certo de quê. Deveria adormecer agora mas meus olhos insistem em ficar bem abertos, como se não quizessem adormecer, e, se isso acontecesse, deixariam de ver tudo o que poderiam ver nessas horas. Talvez seja medo. Medo de perder. Não dizem que os olhos são o espelho da alma? Minha alma tenta gritar mas não sai nenhum som. Ela está apavorada nesse momento, mas não há nenhuma outra que possa escutá-la. E ela se fecha, então. Ela tem saudade, tem falta. Já perdeu demais. E a cada dia que passa, ela tem um dia a menos. Um dia a menos para fazer tudo o que quer, tudo o que ela programa para o depois e nunca para o agora. Ela tem medo de que esse depois chegue e se torne um agora de faltas. Falta do que poderia ter sido feito e não foi. Falta dos sonhos que se perderam em sequências de adiantamentos. Falta de momentos que se passaram e não voltam mais. Falta de você. Falta de mim mesma. Falta de tudo. Falta de nada.

Noite quente, me despido
despido de corpo e de alma
E minha alma despida, traduzida,
é você.

Me diz que faço eu com esse amor que sinto por ti?
Vendo meus olhos para que o brilho deles não seja capaz de me entregar?
Prendo meu coração para que não bata tão intensamente e desequilibre todo meu corpo
quando em ti me puser a pensar?
Que faço eu se esse sentimento me cega,
me mata, mas também me faz viver?

Não importa onde esteja
nem o quão longe seja.
Deixe-me sonhar
nos sonhos posso te encontrar.

Caia sobre mim como uma estrela-cadente
trazida pelo vento de longe pra mim.
Venha e permita-me ainda pedir:
Que fiques toda uma vida, a eternidade e mais um dia
junto a mim.
Escrevo porque não te tenho aqui e nem sequer sei onde deves estar.
Escrevo porque te ter e não te ter só não pesa mais que me ser.
Escrever te traz pra mim.
E você vem como uma forte ventania que embaraça cada fio de meu cabelo,
contorna cada centímetro do meu corpo e da minha alma.
E quando me sinto preenchida da sua presença, quando já posso sentir-te em cada parte de mim: desde a ponta dos meus pés até o meu último fio de cabelo, paro de escrever, fecho os olhos e te sinto. E sentindo-te sinto a mim mesma. Porque uma parte de mim é você. Tenho a você e tenho a mim mesma. Me acho e me perco em você, em mim...

terça-feira, 26 de janeiro de 2010


(...)Sou dramática, intensa, transitória e tenho uma alegria em mim que quase me deixa exausta. Eu sei sorrir com os olhos e gargalhar com o corpo todo. Eu sei chorar toda encolhida abraçando as pernas. Por isso, não me venha com meios-termos, com mais ou menos ou qualquer coisa. Venha a mim com corpo, alma, vísceras, tripas e falta de ar.... Eu acredito é em suspiros, mãos massageando o peito ofegante de saudades intermináveis, em alegrias explosivas, em olhares faiscantes, em sorrisos com os olhos, em abraços que trazem pra vida da gente. Acredito em coisas sinceramente compartilhadas. Em gente que fala tocando no outro, de alguma forma, no toque mesmo, na voz, ou no conteúdo. Eu acredito em profundidades. E tenho medo de altura, mas não evito meus abismos. São eles que me dão a dimensão do que sou." (M. de Queiroz) (via- Serendipities)

Fragmentos do filme "Antes Do Pôr-do-Sol".

Assisti ao filme e apesar de ter achado o final um pouco vago, gostei de algumas partes:

"- Você considera seu livro auto biográfico?
- Pois é. Eu acho que tudo é auto biográfico. Nós todos vemos o mundo pelo buraquinho. Eu sempre penso no Thomas Wolfe, enfim ele diz que nós somos a soma de todos os momentos das nossas vidas; que quem sentar para escrever vai usar o barro de sua própria vida e que não se pode evitar isso."

"Lembrança é uma coisa maravilhosa quando não se tem que enfrentar o passado."

"Eu acho que ninguém muda. As pessoas não gostam de admitir mas, é que todos nós temos essa disposição... parece que nada que acontece pode mudar a nossa disposição. Eu li um estudo onde eles acompanharam pessoas que ganharam na loteria e pessoas que ficaram paraplégicas. Eu quero dizer, você acha que um extremo vai te deixar eufórico e o outro suicida, mas, o estudo mostra que após cerca de seis meses quando as pessoas se habituaram à sua nova situação elas são mais ou menos as mesmas. Se eram basicamente pessoas otimistas e joviais, agora são otimistas e joviais em uma cadeira de rodas. Se eram idiotas, crueis e miseráveis, agora são idiotas, crueis e miseráveis com um novo Cadillac, uma casa e um barco."

"Tem uma citação de Einstein que eu gosto muito. Ele dizia: "Se não acreditas em nenhuma magia ou segredo do universo é a mesma coisa que estar morto."

"Eu sempre me acho esquisita porque nunca posso partir pra outra assim de repente. As pessoas tem um caso, um relacionamento e elas rompem e elas esquecem. Elas trocam de parceiros como trocam de cereais. Eu nunca fui capaz de esquecer um namorado meu porque cada pessoa tem as suas qualidades e defeitos. Não se pode substituir ninguém. Você perde e pronto."

"Eu sou obsecada pelas coisas pequenas. Talvez seja doida. Mas quando eu era pequena minha mãe me dizia que eu chegava tarde na escola. Um dia ela me seguiu pra ver porquê. Eu olhava castanhas caindo das árvores rolando pela calçada, ou formigas na estrada, ou o modo como uma folha fazia sombra numa árvore. São detalhes. Acho que é o mesmo com pessoas. Vejo pequenos detalhes tão expecíficos em cada uma delas que me comovem, sinto falta. Nunca se pode substituir ninguém porque todos são feitos de belos detalhes."

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Ontem resolvi mandar um email para uma pessoa que já foi muito especial.
Talvez ainda seja, mas aconteceram muitas coisas que contribuiram bastante para que eu a considerasse totalmente o contrário. Mas isso não vem ao caso agora... Me veio uma vontade do nada, e eu escrevi, escrevi tudo o que estava entalado aqui dentro - ou quase tudo porque eu acredito que o tudo nunca é dito. E quando terminei e enviei, vi que tinham dez emails dessa mesma pessoa, falando de saudades e dizendo que não era para mim assustar se chegassem várias, porque, era só uma forma de me chamar a atenção pois eu tinha que ler aquilo. É como se houvesse o ódio e o amor, mas o ódio sempre desaparecesse... É incrível minha capacidade de perdoar esse tipo de pessoa; e, mais incrível ainda, é como há coincidências... As palavras dela, descreviam de certa forma, o que eu sentia, o que eu pensava. E sempre, sempre foi assim. Destino? Talvez. Mas destino somente não basta, nunca bastou... e nós, nós sempre soubemos muito bem disso.
E Deus, sabe aquelas respostas que eu queria? Aquelas respostas para todas as minhas dúvidas, para todas as minhas incertezas... Quero mais não. Descobri que preciso dessas dúvidas. E que essas respostas, respostas para tudo, deixariam tudo tão vago, tão vazio e tão sem sentido de ser buscado, compreendido e sentido. Por quê? Não quero saber o porquê, obrigada.

sábado, 9 de janeiro de 2010

E suas mudanças de comportamento vêm me matando aos poucos. Nesse instante, queria poder ter uma máscara que encubrisse meu rosto. Uma maquiagem boa o bastante para poder tapar minha dor. E o único que me resta é o meu sorriso. Um pouco superficial, mas bom o bastante para disfarçar que tudo está indo mal. Que isso não se torne um sofrimento visível e futuramente debochado. Porque eles nunca irão entender. Você também não. Todos somos contraditórios; mas você, você é contraditório demais. E erra, por não perceber que toda essa sua contradição faz alguém sofrer. Que toda essa sua contradição faz uma estrela perder sua luz todas as noites em que se sente despedaçada. É como se você apagasse a luz dela, depois reaçendesse e depois apagasse novamente; e sempre, sempre assim. É como se você a despedaçasse, depois juntasse seus pedaços e depois... a despedaçasse novamente. Esses tombos constantes não fazem bem. Eles impedem que qualquer ferida se feche realmente. E eu, eu estou cheia de feridas. Não me interrompa mais. Não me despedace mais. Não volte mais. Desapareça logo! Eu sei que essa estrela vai recuperar sua luz. Vai juntar seus pedaços por uma última vez. E dessa vez... dessa vez será por conta própria. Mas antes, antes ela precisa aprender viver sem um pedaço dela.
E então, quando esse pedaço não fizer mais falta, ela vai partir... como uma estrela cadente pelo céu; para um lugar onde ela consiga brilhar, inteira, e, realmente bem. Sem precisar fingir, sem precisar sorrir simplesmente por sorrir.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Sozinha? Não fico sozinha. Eu fico com a doçura dos meus sonhos. Com a ansiedade dos meus medos. Com o arrependimento do não feito. Eu fico com meus intemperantes pensamentos e meus loucos desejos. Eu fico com a saudade que algema a minha alma. Fico com minhas dúvidas e minhas frustrações. Com minhas recaídas e meus recomeços infinitos. Fico com minha gota de esperança.
É que às vezes, eu sou demais para mim mesma. Às vezes, não preciso de mais nada, nem de mais ninguém. Às vezes, eu, com toda minha instância e meu vazio, me basto.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

E em dias como esse que deveriam ser de esperanças e alegrias. Me perco. E são nesses momentos, perdida, que me encontro. Um pouco confuso, mas encontro um outro lado de mim mesma. Sensações estranhas que vêm sabe-se lá de que parte de mim. Minha alma? Encontra-se tampada por uma nuvem escura que ameaça chover. Ela tenta vencer. Ela está tentando gritar e respirar; mas, há alguma coisa, sem nome, sem cheiro e sem cor, que a deixa muda e que rouba todo seu ar. Nesse instante, gritar é inútil. Tentar respirar, é sinal de frustração. Não é tempo de nuvens escuras aparecerem. O que esta significa, então? Eu costumo me fazer muitas perguntas em dias como esse. Pergunto, e espero as respostas. Mas elas... elas nunca vêm. Espera inútil, mas precisa. A minha esperança? Encontra-se em equilíbrio; num fio fino de uma corda desgastada. E por menor que seja, ela sustenta minhas partes. Sustenta a mim mesma. Em dias como esse, ela ameaça se desequilibrar. Em dias como esse, a chuva ameaça cair sobre minha alma, sobre mim. Tempestade que se forma, que tenta me desequilibrar, me derrubar... molhe minha pele, mas por favor, não destrua minha alma.

.