
Já faz algum tempo que uma parte de mim se desprendeu do mundo, das coisas e das pessoas. Talvez não tenham se desprendido totalmente, talvez estejam, ao contrário, muito mais ligadas à tudo isso, observando tudo, silenciosamente, de dentro de mim. Há algum tempo tenho vivido no meu interior, e percebi que: sentir nunca foi tarefa fácil pra mim. Sentir, pra mim, sempre foi algo muito complexo e muito profundo. Eu nunca precisei de muito para sorrir, mas também nunca precisei de muito para chorar. Joias, diamantes e carros adicionam, mas não completam. Nunca precisei disso para sorrir. Mas sentiria falta se não acordasse cedo para ver no céu - um pouco ainda escuro -, o sol surgir; se não admirasse as estrelas todas as noites enquanto o vento melódico das árvores toca minha face; se não tivesse momentos em que parasse e ficasse somente observando as pessoas, os animais, cada movimento, cada palavra; sentiria falta se não pudesse ouvir um eu te amo de pessoas especiais ou se não pudesse ver essas pessoas sorrindo ... Isso sim me faz bem. Isso sim me faz sorrir; com o corpo e com a alma. Quanto ao que pode me arrancar lágrimas, não cito: tapas, tropeços e arranhões exteriores, cito palavras. Palavras parecem simples - e são -, mas o simples sempre me atingiu intensamente, e com as palavras não poderia ser diferente. Elas conseguem ir fundo, em lugares dentro de mim que até no momento desconhecia a existência. Agora sim, cito: tapas, tropeços e arranhões interiores. Já sofri várias decepções, pequenas às vezes, e nem por isso menos intensas. Já me entreguei muitas vezes à lembranças - não boas - que por motivos desconhecidos fiz questão de guardar. Já desconfiei em amor à distância e incrívelmente foi pelo qual eu mais sofri - e ainda sofro. Já deixei de fazer coisas que queria muito, pela pior corrente inimiga que me acompanha: medo/insegurança. Já depositei planos e sonhos grandes demais em cima de pessoas que convivo e em cima de mim mesma; e talvez, por ter esperado tanto - porque sonho muito, muito mesmo! - as coisas não tenham parecido tão boas quanto realmente foram. Já passei noites em claro me agoniando, inquieta e chorando por alguém. Já fui derrubada muitas vezes e prometi a mim mesma levantar mais forte. Mas quando levantei, a realidade foi outra: eu estava a mesma menina frágil e sonhadora de sempre. Apesar da vontade, às vezes, de ser dura e fria, sou dona de um coração mole, que mesmo estando mais forte após cada decepção, está sempre disposto a sorrir, a amar e a sonhar novamente. E pelo que conheço de mim hoje, sinto que vai ser sempre assim...
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