Já fantasiei a vida demais. Tenho de mudar. Não digo que pararei de imaginar, sonhar e fantasiar... isso faz parte do pouco e muito que sou, não tem como mudar. Mas parei de querer a vida sempre do jeito que para mim parecia perfeito e passei a aceitar como ela é. Antes eu acreditava que os relacionamentos, mesmo parecendo que iriam durar muito, não davam certo porque a pessoa certa viera na hora errada. Eu mascarava a realidade. A pessoa viera na hora que tinha de vir mesmo, e talvez até fosse a pessoa certa, para aquele momento e nem um segundo a mais. Tudo perdura o tempo que deve perdurar e nem uma fração de tempo a mais. Mas a teimosia nos insinua a não aceitar e a forçar a durabilidade de nossos relacionamentos, como se a nós coubesse o direito de mexer no tempo e de fazer com que permaneça o que nos faz tão bem. O problema, é que mesmo que seja algo que um dia nos fez um bem incompreensível e que hoje nem faça tanto mais, irracionalmente nos prendemos à isso, porque estamos acostumados, acomodados. Porque mascaramos a realidade. Nos iludimos dizendo a nós mesmos que necessitamos daquilo. E na verdade não necessitamos. Sim, sei que são muito mais do que pessoas que perdemos. Perdemos sonhos imaginados, momentos planejados, perdemos o gosto... o cheiro... Mas levamos os momentos compartilhados, os sonhos vividos, o gosto provado e o cheiro sentido. É a perseguidora data de validade que tanto temos que respeitar. Se tentar-mos burlá-la, pode ser que a data de validade até se estique um pouco, mas os sonhos deixarão de fazer sentido, os momentos se perderão de forma drástica e contínua, o gosto não será mais tão doce e o cheiro embrulhará pouco a pouco o estômago até que a realidade arranque toda a máscara. E aí, você percebe que está tentando lutar com um poder que não está ao seu alcance, e tenta mascarar a realidade outra vez... e assim vai se iludindo... mas você não pode fazer nada em relação ao tempo que perdeu.

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