Sempre fui esse poço fundo de interrogações e esse buraco negro de respostas. Sempre fui dessa coisa assombrosa de acordar lagarta e ir dormir mariposa. Sempre fui dessa coisa assustadora de sentir e sofrer muito o momento, que é a minha forma de viver, que é a minha forma de intensidade. Nunca fui certa. Sempre fui meio entre extremos, meio avussa, meio quieta, meio louca. Eu sempre fui assim meio querer o que está a quilômetros da ponta dos meus dedos. Sempre fui assim meio querer enfiar de qualquer jeito na minha vida o que não cabe no meu mundo. Então aparece alguém assim, que cabe tão bem e tão certo nos
meus braços, na minha vida e no meu mundo. E ainda assim meu pensamento tenta distorcer e me convencer de que não está cabendo mais. Aí acontece de tudo ficar meio assim aos trampos, completamente de pernas pr'o ar. Mas eu continuo andando, tropeçando, andando e correndo até perder a noção do espaço. Até dar de cara com você lá na frente da minha estrada. Até cair nos seus braços e me sentir incrívelmente protegida dos meus nãos. Certo é algo que o nosso amor certamente nunca foi para mim. Assim como nada é. E meu pensamento até tenta me empurrar e, me deixando assustada, fazer com que eu corra sem rumo. Mas a sua mão me segura forte, e me puxa tão doce e tão firme que tudo começa a fazer absurdamente o maior sentido. E então eu fico, assim, tão sua como nunca havia sido.
domingo, 31 de julho de 2011
sexta-feira, 22 de julho de 2011
ausência que pesa
Acontece que contigo por perto meu corpo salta, transcede, e chora. É por isso que é a distância o maior problema. És tu meu maior problema, menino. Se longe até consigo enganar o olhar, o choro, o pensamento. Mas quando perto, tu só podes ter um imã, menino, só pode ser. Por favor, diga-me como fugir se até o meu silêncio sussurra teu nome. Se és a saudade que tenho do nunca tido. Se és o culpado desta melancolia que chega às vezes do nada e me desfarela por inteira. E me deixas só o pó. Me segura, menino, que juro: não aguento mais suportar, além do peso meu, o teu; pois existe tanto de ti em mim que não aguento mais. Existe tanto, tanto, que me assusto. Me segura, menino, que não é seguro te amar assim. E tanto. Vem e traz todo o teu medo e a tua loucura que eu acolho, menino. Ou vem e traz o ponto final pr'as minhas palavras que são tão mais tuas do que minhas. Não importa como, nem pra que, mas vem, menino, vem. Vem preencher essa tua ausência que desde sempre preenche a minha vida. Vem tocar tua música e fazer-me dormir. Vem cantar pra mim. Vem pra perto do meu ouvido e ri teu riso, menino. Vem e traz a minha paz. Mas corre. Vem logo que o meu silêncio eterno tem pressa, embora seja eternamente teu. Vem, nem que seja para varreres para algum canto da sala escura o meu pó. Não importa como, nem pra que, mas vem, menino, vem.
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