sábado, 30 de janeiro de 2010
Sinto falta mas não sei ao certo de quê. Deveria adormecer agora mas meus olhos insistem em ficar bem abertos, como se não quizessem adormecer, e, se isso acontecesse, deixariam de ver tudo o que poderiam ver nessas horas. Talvez seja medo. Medo de perder. Não dizem que os olhos são o espelho da alma? Minha alma tenta gritar mas não sai nenhum som. Ela está apavorada nesse momento, mas não há nenhuma outra que possa escutá-la. E ela se fecha, então. Ela tem saudade, tem falta. Já perdeu demais. E a cada dia que passa, ela tem um dia a menos. Um dia a menos para fazer tudo o que quer, tudo o que ela programa para o depois e nunca para o agora. Ela tem medo de que esse depois chegue e se torne um agora de faltas. Falta do que poderia ter sido feito e não foi. Falta dos sonhos que se perderam em sequências de adiantamentos. Falta de momentos que se passaram e não voltam mais. Falta de você. Falta de mim mesma. Falta de tudo. Falta de nada.

Noite quente, me despido
despido de corpo e de alma
E minha alma despida, traduzida,
é você.
Me diz que faço eu com esse amor que sinto por ti?
Vendo meus olhos para que o brilho deles não seja capaz de me entregar?
Prendo meu coração para que não bata tão intensamente e desequilibre todo meu corpo
quando em ti me puser a pensar?
Que faço eu se esse sentimento me cega,
me mata, mas também me faz viver?
Não importa onde esteja
nem o quão longe seja.
Deixe-me sonhar
nos sonhos posso te encontrar.
Caia sobre mim como uma estrela-cadente
trazida pelo vento de longe pra mim.
Venha e permita-me ainda pedir:
Que fiques toda uma vida, a eternidade e mais um dia
junto a mim.
Escrevo porque não te tenho aqui e nem sequer sei onde deves estar.
Escrevo porque te ter e não te ter só não pesa mais que me ser.
Escrever te traz pra mim.
E você vem como uma forte ventania que embaraça cada fio de meu cabelo,
contorna cada centímetro do meu corpo e da minha alma.
E quando me sinto preenchida da sua presença, quando já posso sentir-te em cada parte de mim: desde a ponta dos meus pés até o meu último fio de cabelo, paro de escrever, fecho os olhos e te sinto. E sentindo-te sinto a mim mesma. Porque uma parte de mim é você. Tenho a você e tenho a mim mesma. Me acho e me perco em você, em mim...
Escrevo porque te ter e não te ter só não pesa mais que me ser.
Escrever te traz pra mim.
E você vem como uma forte ventania que embaraça cada fio de meu cabelo,
contorna cada centímetro do meu corpo e da minha alma.
E quando me sinto preenchida da sua presença, quando já posso sentir-te em cada parte de mim: desde a ponta dos meus pés até o meu último fio de cabelo, paro de escrever, fecho os olhos e te sinto. E sentindo-te sinto a mim mesma. Porque uma parte de mim é você. Tenho a você e tenho a mim mesma. Me acho e me perco em você, em mim...
terça-feira, 26 de janeiro de 2010

(...)Sou dramática, intensa, transitória e tenho uma alegria em mim que quase me deixa exausta. Eu sei sorrir com os olhos e gargalhar com o corpo todo. Eu sei chorar toda encolhida abraçando as pernas. Por isso, não me venha com meios-termos, com mais ou menos ou qualquer coisa. Venha a mim com corpo, alma, vísceras, tripas e falta de ar.... Eu acredito é em suspiros, mãos massageando o peito ofegante de saudades intermináveis, em alegrias explosivas, em olhares faiscantes, em sorrisos com os olhos, em abraços que trazem pra vida da gente. Acredito em coisas sinceramente compartilhadas. Em gente que fala tocando no outro, de alguma forma, no toque mesmo, na voz, ou no conteúdo. Eu acredito em profundidades. E tenho medo de altura, mas não evito meus abismos. São eles que me dão a dimensão do que sou." (M. de Queiroz) (via- Serendipities)
Fragmentos do filme "Antes Do Pôr-do-Sol".
Assisti ao filme e apesar de ter achado o final um pouco vago, gostei de algumas partes:
"- Você considera seu livro auto biográfico?
- Pois é. Eu acho que tudo é auto biográfico. Nós todos vemos o mundo pelo buraquinho. Eu sempre penso no Thomas Wolfe, enfim ele diz que nós somos a soma de todos os momentos das nossas vidas; que quem sentar para escrever vai usar o barro de sua própria vida e que não se pode evitar isso."
"Lembrança é uma coisa maravilhosa quando não se tem que enfrentar o passado."
"Eu acho que ninguém muda. As pessoas não gostam de admitir mas, é que todos nós temos essa disposição... parece que nada que acontece pode mudar a nossa disposição. Eu li um estudo onde eles acompanharam pessoas que ganharam na loteria e pessoas que ficaram paraplégicas. Eu quero dizer, você acha que um extremo vai te deixar eufórico e o outro suicida, mas, o estudo mostra que após cerca de seis meses quando as pessoas se habituaram à sua nova situação elas são mais ou menos as mesmas. Se eram basicamente pessoas otimistas e joviais, agora são otimistas e joviais em uma cadeira de rodas. Se eram idiotas, crueis e miseráveis, agora são idiotas, crueis e miseráveis com um novo Cadillac, uma casa e um barco."
"Tem uma citação de Einstein que eu gosto muito. Ele dizia: "Se não acreditas em nenhuma magia ou segredo do universo é a mesma coisa que estar morto."
"Eu sempre me acho esquisita porque nunca posso partir pra outra assim de repente. As pessoas tem um caso, um relacionamento e elas rompem e elas esquecem. Elas trocam de parceiros como trocam de cereais. Eu nunca fui capaz de esquecer um namorado meu porque cada pessoa tem as suas qualidades e defeitos. Não se pode substituir ninguém. Você perde e pronto."
"Eu sou obsecada pelas coisas pequenas. Talvez seja doida. Mas quando eu era pequena minha mãe me dizia que eu chegava tarde na escola. Um dia ela me seguiu pra ver porquê. Eu olhava castanhas caindo das árvores rolando pela calçada, ou formigas na estrada, ou o modo como uma folha fazia sombra numa árvore. São detalhes. Acho que é o mesmo com pessoas. Vejo pequenos detalhes tão expecíficos em cada uma delas que me comovem, sinto falta. Nunca se pode substituir ninguém porque todos são feitos de belos detalhes."
"- Você considera seu livro auto biográfico?
- Pois é. Eu acho que tudo é auto biográfico. Nós todos vemos o mundo pelo buraquinho. Eu sempre penso no Thomas Wolfe, enfim ele diz que nós somos a soma de todos os momentos das nossas vidas; que quem sentar para escrever vai usar o barro de sua própria vida e que não se pode evitar isso."
"Lembrança é uma coisa maravilhosa quando não se tem que enfrentar o passado."
"Eu acho que ninguém muda. As pessoas não gostam de admitir mas, é que todos nós temos essa disposição... parece que nada que acontece pode mudar a nossa disposição. Eu li um estudo onde eles acompanharam pessoas que ganharam na loteria e pessoas que ficaram paraplégicas. Eu quero dizer, você acha que um extremo vai te deixar eufórico e o outro suicida, mas, o estudo mostra que após cerca de seis meses quando as pessoas se habituaram à sua nova situação elas são mais ou menos as mesmas. Se eram basicamente pessoas otimistas e joviais, agora são otimistas e joviais em uma cadeira de rodas. Se eram idiotas, crueis e miseráveis, agora são idiotas, crueis e miseráveis com um novo Cadillac, uma casa e um barco."
"Tem uma citação de Einstein que eu gosto muito. Ele dizia: "Se não acreditas em nenhuma magia ou segredo do universo é a mesma coisa que estar morto."
"Eu sempre me acho esquisita porque nunca posso partir pra outra assim de repente. As pessoas tem um caso, um relacionamento e elas rompem e elas esquecem. Elas trocam de parceiros como trocam de cereais. Eu nunca fui capaz de esquecer um namorado meu porque cada pessoa tem as suas qualidades e defeitos. Não se pode substituir ninguém. Você perde e pronto."
"Eu sou obsecada pelas coisas pequenas. Talvez seja doida. Mas quando eu era pequena minha mãe me dizia que eu chegava tarde na escola. Um dia ela me seguiu pra ver porquê. Eu olhava castanhas caindo das árvores rolando pela calçada, ou formigas na estrada, ou o modo como uma folha fazia sombra numa árvore. São detalhes. Acho que é o mesmo com pessoas. Vejo pequenos detalhes tão expecíficos em cada uma delas que me comovem, sinto falta. Nunca se pode substituir ninguém porque todos são feitos de belos detalhes."
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
Ontem resolvi mandar um email para uma pessoa que já foi muito especial.
Talvez ainda seja, mas aconteceram muitas coisas que contribuiram bastante para que eu a considerasse totalmente o contrário. Mas isso não vem ao caso agora... Me veio uma vontade do nada, e eu escrevi, escrevi tudo o que estava entalado aqui dentro - ou quase tudo porque eu acredito que o tudo nunca é dito. E quando terminei e enviei, vi que tinham dez emails dessa mesma pessoa, falando de saudades e dizendo que não era para mim assustar se chegassem várias, porque, era só uma forma de me chamar a atenção pois eu tinha que ler aquilo. É como se houvesse o ódio e o amor, mas o ódio sempre desaparecesse... É incrível minha capacidade de perdoar esse tipo de pessoa; e, mais incrível ainda, é como há coincidências... As palavras dela, descreviam de certa forma, o que eu sentia, o que eu pensava. E sempre, sempre foi assim. Destino? Talvez. Mas destino somente não basta, nunca bastou... e nós, nós sempre soubemos muito bem disso.
E Deus, sabe aquelas respostas que eu queria? Aquelas respostas para todas as minhas dúvidas, para todas as minhas incertezas... Quero mais não. Descobri que preciso dessas dúvidas. E que essas respostas, respostas para tudo, deixariam tudo tão vago, tão vazio e tão sem sentido de ser buscado, compreendido e sentido. Por quê? Não quero saber o porquê, obrigada.
Talvez ainda seja, mas aconteceram muitas coisas que contribuiram bastante para que eu a considerasse totalmente o contrário. Mas isso não vem ao caso agora... Me veio uma vontade do nada, e eu escrevi, escrevi tudo o que estava entalado aqui dentro - ou quase tudo porque eu acredito que o tudo nunca é dito. E quando terminei e enviei, vi que tinham dez emails dessa mesma pessoa, falando de saudades e dizendo que não era para mim assustar se chegassem várias, porque, era só uma forma de me chamar a atenção pois eu tinha que ler aquilo. É como se houvesse o ódio e o amor, mas o ódio sempre desaparecesse... É incrível minha capacidade de perdoar esse tipo de pessoa; e, mais incrível ainda, é como há coincidências... As palavras dela, descreviam de certa forma, o que eu sentia, o que eu pensava. E sempre, sempre foi assim. Destino? Talvez. Mas destino somente não basta, nunca bastou... e nós, nós sempre soubemos muito bem disso.
E Deus, sabe aquelas respostas que eu queria? Aquelas respostas para todas as minhas dúvidas, para todas as minhas incertezas... Quero mais não. Descobri que preciso dessas dúvidas. E que essas respostas, respostas para tudo, deixariam tudo tão vago, tão vazio e tão sem sentido de ser buscado, compreendido e sentido. Por quê? Não quero saber o porquê, obrigada.
sábado, 9 de janeiro de 2010
E suas mudanças de comportamento vêm me matando aos poucos. Nesse instante, queria poder ter uma máscara que encubrisse meu rosto. Uma maquiagem boa o bastante para poder tapar minha dor. E o único que me resta é o meu sorriso. Um pouco superficial, mas bom o bastante para disfarçar que tudo está indo mal. Que isso não se torne um sofrimento visível e futuramente debochado. Porque eles nunca irão entender. Você também não. Todos somos contraditórios; mas você, você é contraditório demais. E erra, por não perceber que toda essa sua contradição faz alguém sofrer. Que toda essa sua contradição faz uma estrela perder sua luz todas as noites em que se sente despedaçada. É como se você apagasse a luz dela, depois reaçendesse e depois apagasse novamente; e sempre, sempre assim. É como se você a despedaçasse, depois juntasse seus pedaços e depois... a despedaçasse novamente. Esses tombos constantes não fazem bem. Eles impedem que qualquer ferida se feche realmente. E eu, eu estou cheia de feridas. Não me interrompa mais. Não me despedace mais. Não volte mais. Desapareça logo! Eu sei que essa estrela vai recuperar sua luz. Vai juntar seus pedaços por uma última vez. E dessa vez... dessa vez será por conta própria. Mas antes, antes ela precisa aprender viver sem um pedaço dela.
E então, quando esse pedaço não fizer mais falta, ela vai partir... como uma estrela cadente pelo céu; para um lugar onde ela consiga brilhar, inteira, e, realmente bem. Sem precisar fingir, sem precisar sorrir simplesmente por sorrir.
E então, quando esse pedaço não fizer mais falta, ela vai partir... como uma estrela cadente pelo céu; para um lugar onde ela consiga brilhar, inteira, e, realmente bem. Sem precisar fingir, sem precisar sorrir simplesmente por sorrir.
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
Sozinha? Não fico sozinha. Eu fico com a doçura dos meus sonhos. Com a ansiedade dos meus medos. Com o arrependimento do não feito. Eu fico com meus intemperantes pensamentos e meus loucos desejos. Eu fico com a saudade que algema a minha alma. Fico com minhas dúvidas e minhas frustrações. Com minhas recaídas e meus recomeços infinitos. Fico com minha gota de esperança.
É que às vezes, eu sou demais para mim mesma. Às vezes, não preciso de mais nada, nem de mais ninguém. Às vezes, eu, com toda minha instância e meu vazio, me basto.
É que às vezes, eu sou demais para mim mesma. Às vezes, não preciso de mais nada, nem de mais ninguém. Às vezes, eu, com toda minha instância e meu vazio, me basto.
sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
E em dias como esse que deveriam ser de esperanças e alegrias. Me perco. E são nesses momentos, perdida, que me encontro. Um pouco confuso, mas encontro um outro lado de mim mesma. Sensações estranhas que vêm sabe-se lá de que parte de mim. Minha alma? Encontra-se tampada por uma nuvem escura que ameaça chover. Ela tenta vencer. Ela está tentando gritar e respirar; mas, há alguma coisa, sem nome, sem cheiro e sem cor, que a deixa muda e que rouba todo seu ar. Nesse instante, gritar é inútil. Tentar respirar, é sinal de frustração. Não é tempo de nuvens escuras aparecerem. O que esta significa, então? Eu costumo me fazer muitas perguntas em dias como esse. Pergunto, e espero as respostas. Mas elas... elas nunca vêm. Espera inútil, mas precisa. A minha esperança? Encontra-se em equilíbrio; num fio fino de uma corda desgastada. E por menor que seja, ela sustenta minhas partes. Sustenta a mim mesma. Em dias como esse, ela ameaça se desequilibrar. Em dias como esse, a chuva ameaça cair sobre minha alma, sobre mim. Tempestade que se forma, que tenta me desequilibrar, me derrubar... molhe minha pele, mas por favor, não destrua minha alma.
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