
E a cada tarde fria que se passava, diminuia a minha vontade quase que incontrolável de você. Ao café, não restava mais tempo para se esfriar enquanto minha alma adormecia tentando viajar até você e te trazer pra perto. Ela não te buscava mais. Sua lembrança era nítida em alguns versos, alguns gestos e até mesmo nas estrelas - as quais olhava incansávelmente todas as noites. Tudo isso me trazia à mente, vagamente, você. Mas é estranho como você passava tão rápido; como um vento que viesse, me tocasse e depois partisse. Uma tempestade transformada em brisa. Não estava mais disposta a passar horas pensando e, muitas vezes, chorando por você, minha estrela perdida. O tempo transforma tudo e aos poucos você vai dando uma segunda chance à você mesmo. As lágrimas se cansam de cair sempre por um mesmo motivo e parece que "se secam". Mudança. Os gostos, os costumes, os lugares, as vontades, os amores... mudam. Mas há uma coisa que nunca muda: a essência. Os medos, as inseguranças e os nossos segredos mais secretos sempre continuam dentro de nós e só percebemos isso quando crescemos e então, olhamos para trás. Isso faz entender um pouco a necessidade da mudança nas nossas vidas, que, apesar de muitas vezes difíceis de se fazer, sempre, sempre abrem novos caminhos, nos permitem respirar novos ares e nos dão a possibilidade de nos encontrarmos um pouco com nós mesmos, prestando atenção nas cascas que perdemos ao longo do caminho.
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"Quando a vida lhe oferece um sonho muito além de todas as suas expectativas, é irracional se lamentar quando isso chega ao fim."
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Eu repetia isso incansávelmente para mim mesma tentando encontrar a maneira mais fácil de me conformar com tudo. Conformar e aceitar as coisas que por algum motivo, aparecem e partem, mesmo quando tudo o que menos queremos é que elas se vão. Talvez, você fora mesmo um sonho e me fizera sentir algo que jamais imaginara sentir. Mas tudo se transforma, tudo um dia se vai, e você também se foi. Não trago comigo o lamento, mas a saudade, que pesa, pesa e pesa cada dia mais.
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