segunda-feira, 26 de abril de 2010

Ela já havia se acostumado com a sua imaginação, desde o dia em que ele se foi. A sua imaginação estava sendo, talvez, a sua maior companheira naqueles meses. Todos os dias e em todos os momentos ela a pertubava e a levava até ele. As palavras e o jeito dele eram sempre os mesmos, porque eram moldados em lembranças. A imaginação dela ainda não era boa o bastante para descobrir se ele tinha mudado e em quê. Talvez ela não pensasse nele, mas em alguém que um dia, de certa forma, esteve com ela. Talvez ela não se imaginasse com ele, mas com alguém que um dia ela pode sentir em cada milímetro do seu ser. Por alguns dias, sua imaginação a dava um certo descanço; por outros, tomava conta dela sem pedido de licença qualquer. A dominava, a possuía... Não que isso seja uma coisa ruim: ela nunca tivera problemas visíveis com o fato de imaginar em demasia, mas, já fazia um certo tempo que sua imaginação, incompreensívelmente, não pensava em nada mais além dele. E a ausência dele, transparente na alma, refletia em cada segundo de sua imaginação, em cada segundo de seu pensamento. E o fato de não o ter mais doía, doía... Ela fechava os olhos com força e os apertava mais forte ainda, enquanto encravava suas unhas na própria pele, tentando fazer com que a dor de seu corpo tornasse desprezível a dor que se espalhava na sua alma. Tudo em vão. A dor amenizava e depois... retornava. Quem dera ela saber que ele, um dia, também retornaria... Ela se sentia pequena, capaz de escolher até mesmo a morte ao fato de conviver com essa sensação atormentante e frustrante que é saber que ele está em algum lugar e aceitar que, inutilmente, não há nada de que ela possa sequer pensar em fazer.

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