Aqui e sinto como se pertencesse a outro lugar.
Um lugar distante, presente na imaginação apenas.
Não pertenço a aqui, não pertenço à lá.
Pertenço a um mundo. Mas não um mundo qualquer.
Pertenço ao meu mundo.
E nele crio e recrio, e uso o coração como diretor de criação.
No meu mundo não há ideais frustrados, mas meus sonhos em ação.
Se no meu mundo eu caio, depois eu levanto e sigo em frente...
Mal me levanto e o vento já pode me atingir.
E de repente me surpreendo: meus pés já não atingem mais o chão.
E pelo vento eu vou... Viajo pelo meu mundo...
Nele o tempo é infinito. Nele o amor é sempre verdadeiro.
Nele a doçura brilha dos olhos e reflete em qualquer gota ou grão.
O vento me traz de volta. Mas ainda sei que não pertenço à aqui.
Pertenço ao céu: feita de pedacinhos de estrelas e de luz.
Pertenço ao infinito: respiro eternidade a cada segundo.
Pertenço aos meus sonhos - ainda que me escapam entre os dedos como o ar que me circula.
Mas ainda assim tem uma parte de mim que grita de um lugar distante, desconhecido, sem nome.
Sou dividida entre o meu eu partido, o meu eu sonhado e o meu eu vivido.
Entre meus lugares e meus eus, me belisca a pele uma leve angustia.
Pois sei que ao meu mundo pertenço e sei também que sou.
Mas meu mundo não tem nome, nem eu.
O infinito e a alma escapam de qualquer descrição.
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