terça-feira, 30 de julho de 2013
Porta entreaberta
A porta entreaberta me assusta
Me apreende
Me revela.
Meu olhar fixado naquela brecha pequena
Tem como companhia um sorriso desconexo
Que não reflete sentimento algum
Nem mesmo pena.
O vazio por detrás daquela porta me ganha aos poucos
E aos poucos percebo:
Nada é tão vazio quanto parece
Por detrás daquela porta entreaberta, existe muito
Coisas estáticas, sem movimento, sem ruído, sem vida
Mas em algum canto há vida
Há vida nos passos que ruídam na calçada
Há vida no murmuro do cão que se encolhe no sereno
Há vida na estrela que cintila alto pela janela
Há vida até mesmo no sorriso desconexo que há pouco me fugiu pela boca
Ainda que sem sentido
Ainda que não sentido
Ainda assim...
A porta entreaberta me apreende,
Porque gosto do que não se mostra inteiro
Do que não derrama sua beleza
Do que insiste em ser mistério
Me apreende,
Porque descobrir numa brecha, com um canto do olho, o que tem por detrás daquela porta, é descobrir a mim mesma
É mergulhar nas minhas brechas e ir me achando cada vez mais cheia
É achar num canto dito vazio, um ruído qualquer
É perceber que no silêncio e na parada, há vida
É descobrir que na minha serenidade e silêncio aparente, se abriga o grito do mundo
É decifrar que assim como aquela porta é inteira, sem precisar se mostrar inteira, eu sou.
Eu sou.
Sim.
E não preciso de uma porta certeira e inteiramente aberta
Qualquer brecha pequena e que abrigue um rastro de beleza
É suficiente para me ganhar
Para fazer eu entrar
Para me arrancar um sorriso
Qualquer meio ruído de vida me tem inteira
E não me assusta mais o silêncio nem o mistério
Pois também o sou.
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013
O que me amacia a vida
Sou fácil
Pra tudo o que me poema a vida
Pra tudo o que me transborda o peito
Pra tudo o que me desnuda a alma
Pra tudo o que me sorri inteiro
É só chegar com um olhar manso
Que eu, carente de carinho
Descrente de descanso
Me deixo levar
É só gritar meu nome
Que eu, que de amor tenho fome
Viro toda sorriso
Desabrocho em flor
É só me escrever um verso
Que eu, doída de sonhos
Vazia de planos
Me apresento: amor
É só chegar
Me gritar
Me escrever
Me olhar
Me sorrir de corpo completo
Mais alma espatifada
Retalhada
Recomeçada ou
Do jeito que for
Do jeito que se apresentar
Eu não me importo
Nem sequer reparo
Se me faz sonhar
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poesia
domingo, 20 de janeiro de 2013
de passagem
E o tanto da mala que nem tocado foi, me jogou na cara que eu não tinha voltado pra casa, que era só uma rápida visita, uma breve passagem, embora meu coração dissesse o contrário.
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