sexta-feira, 19 de novembro de 2010

El poeta

Ele segurava o bloco de papel na mão,
E rolava a caneta, impaciente, entre os dedos.
Eram reflexos do seu conturbado coração,
Os intensos olhos perdidos sabe Deus em qual direção.

Com as mãos tapando a boca
Moldurava o mais perfeito rosto de pensador.
Mas o trânsito engarrafado por dentro,
Mostrava que mais do que isso
Era um senti-dor.

Como uma descarga rápida de seu eu mais íntimo,
Sua mão rapidamente escreveu mais um verso;
Mas não era apenas um verso,
Era mais uma dose de remédio para a alma,
Para a vida...

Algumas palavras a mais
E o bloco foi então fechado,
A caneta guardada,
E os olhos agora concentrados em algo certo.
No bloco guardado na bolsa,
Apenas um embaralhado de palavras;
Um poema inacabado esperando pelo retoque final.

Algumas palavras a mais
E o bloco então foi fechado,
A caneta guardada,
E o trânsito, antes engarrafado por dentro,
Temporariamente liberado.

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