segunda-feira, 26 de abril de 2010

Ela já havia se acostumado com a sua imaginação, desde o dia em que ele se foi. A sua imaginação estava sendo, talvez, a sua maior companheira naqueles meses. Todos os dias e em todos os momentos ela a pertubava e a levava até ele. As palavras e o jeito dele eram sempre os mesmos, porque eram moldados em lembranças. A imaginação dela ainda não era boa o bastante para descobrir se ele tinha mudado e em quê. Talvez ela não pensasse nele, mas em alguém que um dia, de certa forma, esteve com ela. Talvez ela não se imaginasse com ele, mas com alguém que um dia ela pode sentir em cada milímetro do seu ser. Por alguns dias, sua imaginação a dava um certo descanço; por outros, tomava conta dela sem pedido de licença qualquer. A dominava, a possuía... Não que isso seja uma coisa ruim: ela nunca tivera problemas visíveis com o fato de imaginar em demasia, mas, já fazia um certo tempo que sua imaginação, incompreensívelmente, não pensava em nada mais além dele. E a ausência dele, transparente na alma, refletia em cada segundo de sua imaginação, em cada segundo de seu pensamento. E o fato de não o ter mais doía, doía... Ela fechava os olhos com força e os apertava mais forte ainda, enquanto encravava suas unhas na própria pele, tentando fazer com que a dor de seu corpo tornasse desprezível a dor que se espalhava na sua alma. Tudo em vão. A dor amenizava e depois... retornava. Quem dera ela saber que ele, um dia, também retornaria... Ela se sentia pequena, capaz de escolher até mesmo a morte ao fato de conviver com essa sensação atormentante e frustrante que é saber que ele está em algum lugar e aceitar que, inutilmente, não há nada de que ela possa sequer pensar em fazer.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Fico me perguntando se a vida na terra não seria uma forma de escola, de preparamento... para que quando a nós couber a eternidade, já sabermos o valor das coisas porque um dia já as havíamos perdido e descoberto seu valor após a perda. E na eternidade, então, caberá a essas coisas seus devidos valores. Porque talvez, se hoje agimos como se fossemos ter tudo para sempre,
na eternidade, além da certeza do 'para sempre', não haverá 'para sempre' que nos acomode; e agiremos como se fossemos perder tudo no seguinte piscar de olhos.

domingo, 18 de abril de 2010

Não diga as coisas com pressa. Mais vale um silêncio certo que uma palavra errada. Demora naquilo que você precisa dizer. Livre-se da pressa de querer dar ordens ao mundo. É mais fácil a gente se arrepender de uma palavra que de um silêncio.
Palavra errada, na hora errada, pode se transformar em ferida naquele que disse, e também naquele que ouviu. Em muitos momentos da vida o silêncio é a resposta mais sábia que podemos dar a alguém.
Por isso, prepara bem a palavra que será dita. Palavras apressadas não combinam com sabedoria. Os sábios preferem o silêncio. E nos seus poucos dizeres está condensada uma fonte inesgotável de sabedoria.
Não caia na tentação do discurso banal, da explicação simplória. Queira a profundidade da fala que nos pede calma. Calma para dizer, calma para ouvir.
Hoje, neste tempo de palavras muitas, queiramos a beleza dos silêncios poucos.


(Pe. Fábio de Melo)


sábado, 17 de abril de 2010

Aqui e sinto como se pertencesse a outro lugar.
Um lugar distante, presente na imaginação apenas.
Não pertenço a aqui, não pertenço à lá.
Pertenço a um mundo. Mas não um mundo qualquer.
Pertenço ao meu mundo.
E nele crio e recrio, e uso o coração como diretor de criação.
No meu mundo não há ideais frustrados, mas meus sonhos em ação.
Se no meu mundo eu caio, depois eu levanto e sigo em frente...
Mal me levanto e o vento já pode me atingir.
E de repente me surpreendo: meus pés já não atingem mais o chão.
E pelo vento eu vou... Viajo pelo meu mundo...
Nele o tempo é infinito. Nele o amor é sempre verdadeiro.
Nele a doçura brilha dos olhos e reflete em qualquer gota ou grão.
O vento me traz de volta. Mas ainda sei que não pertenço à aqui.
Pertenço ao céu: feita de pedacinhos de estrelas e de luz.
Pertenço ao infinito: respiro eternidade a cada segundo.
Pertenço aos meus sonhos - ainda que me escapam entre os dedos como o ar que me circula.
Mas ainda assim tem uma parte de mim que grita de um lugar distante, desconhecido, sem nome.
Sou dividida entre o meu eu partido, o meu eu sonhado e o meu eu vivido.
Entre meus lugares e meus eus, me belisca a pele uma leve angustia.
Pois sei que ao meu mundo pertenço e sei também que sou.
Mas meu mundo não tem nome, nem eu.
O infinito e a alma escapam de qualquer descrição.

domingo, 11 de abril de 2010


E eu abria os olhos e voltava, confiante, esperando o suficiente que nunca chegava.
Tudo sendo escrito e eu fingindo não saber ler. É que eu queria mesmo acreditar. Eu ia de encontro a realidade. Sempre permitia uma nova chance e no final era apunhalada pelas costas. A história muda, mas o final sempre me persegue. Nunca quis muito além do sincero brilho nos olhos, do sincero sorriso nos lábios e de um abraço sincero que fosse capaz de me levar a outra dimensão.
E eu acreditava que era assim, mas hoje vejo que não. Não mais. Eu fui capaz da segunda, da terceira, da quarta e de quantas chances fossem necessárias atrás da tão esperada felicidade. Mas na primeira curva, começava a chover, e a tempestade sempre era mais forte. Para mais uma chance preciso do brilho dos seus olhos, do seu sorriso e do seu abraço; preciso de você "aqui" bem junto de mim. Mas acho que você não pode compreender minhas palavras.

quinta-feira, 1 de abril de 2010


Sonhei que eu abria um potinho e dele saiam todas as palavras de que precisava. Algumas se uniam e, juntas, expressavam perfeitamente o que sinto por você. Diziam o quanto te amo e o quanto você representa. Outras se uniam e formavam o mais belo texto de agradecimento. Agradeciam por cada fralda trocada, por cada voltinha de bicicleta, por cada segundo que você passou insistindo com que eu aprendesse o alfabeto ou a tabuada, por cada olhar que silenciosamente dizia: -"Eu estou aqui por você", por cada gota de suor, por cada abraço, cada beijo, cada sorriso. Agradeciam por tudo isso e muito, muito mais. Outras palavras, saíam incansávelmente em busca de outras para que juntas, pudessem dizer o quanto você é importante, especial e essencial na minha vida. Agradeciam por ter me dado a vida e por cada minuto que você se esqueceu da sua para se lembrar da minha, ou melhor, para se lembrar da sua mesmo, porque talvez, por momentos, você sentisse como se eu fosse a sua vida. O pote ia se esvaziando e as palavras, cada vez mais frases formando. As que restaram, eram o resto, mas não menos importantes. Diziam, então: -"Eu te amo, pai, por completo. Amo teus defeitos e tuas qualidades. Amo teus braços que tantas vezes me serviram de abrigo; tuas mãos, que sempre se esforçaram para me guiar; também -- sabe quando você me olha e sorri daquele jeito que só você sabe fazer? quando você solta uma gargalhada de leve e seus olhos até se fecham? me faz esquecer tudo, tudo! qualquer mágoa, qualquer dor. -- amo te ver sorrir; ah, como eu amo te amar." :) Pronto! Lá se foram as palavras... Ah, queridas palavras, esvaziaram um pote inteiro tentando o amor explicar. Mas, na ilusão de explicá-lo, se esqueceram de que o amor não se pode explicar. Que o amor nasce, cresce e permite apenas que o sintamos, nada mais. Nem mesmo uma infinidade de potinhos de palavras descreveriam o que sinto por você, o que você representa e o quanto sou grata à ti.

*

Eu tenho tanto pra lhe falar
Mas com palavras não sei dizer
Como é grande o meu amor por você

E não há nada pra comparar
Para poder lhe explicar
Como é grande o meu amor por você

Nem mesmo o céu nem as estrelas
Nem mesmo o mar e o infinito
Não é maior que o meu amor
Nem mais bonito

Me desespero em procurar
Alguma forma de lhe falar

Como é grande o meu amor por você
Nunca se esqueça nenhum segundo
Que eu tenho o amor maior do mundo
Como é grande o meu amor por você.


*

Parabéns pela vida, pai! Que venham muitos e muitos anos, cheios de abraços, lágrimas e sorrisos. Que venham muitos e muitos anos repletos de paz, saúde e amor. E que nunca nos esqueçamos que há uma força maior que nos guia sempre: Deus! E não se esqueça de que dores e dificuldades fazem parte da vida e a torna humana; mas, que a esperança e a fé são necessárias para torná-la feliz. ♥

sábado, 27 de março de 2010















E a cada tarde fria que se passava, diminuia a minha vontade quase que incontrolável de você. Ao café, não restava mais tempo para se esfriar enquanto minha alma adormecia tentando viajar até você e te trazer pra perto. Ela não te buscava mais. Sua lembrança era nítida em alguns versos, alguns gestos e até mesmo nas estrelas - as quais olhava incansávelmente todas as noites. Tudo isso me trazia à mente, vagamente, você. Mas é estranho como você passava tão rápido; como um vento que viesse, me tocasse e depois partisse. Uma tempestade transformada em brisa. Não estava mais disposta a passar horas pensando e, muitas vezes, chorando por você, minha estrela perdida. O tempo transforma tudo e aos poucos você vai dando uma segunda chance à você mesmo. As lágrimas se cansam de cair sempre por um mesmo motivo e parece que "se secam". Mudança. Os gostos, os costumes, os lugares, as vontades, os amores... mudam. Mas há uma coisa que nunca muda: a essência. Os medos, as inseguranças e os nossos segredos mais secretos sempre continuam dentro de nós e só percebemos isso quando crescemos e então, olhamos para trás. Isso faz entender um pouco a necessidade da mudança nas nossas vidas, que, apesar de muitas vezes difíceis de se fazer, sempre, sempre abrem novos caminhos, nos permitem respirar novos ares e nos dão a possibilidade de nos encontrarmos um pouco com nós mesmos, prestando atenção nas cascas que perdemos ao longo do caminho.

*
*

"Quando a vida lhe oferece um sonho muito além de todas as suas expectativas, é irracional se lamentar quando isso chega ao fim."

*

Eu repetia isso incansávelmente para mim mesma tentando encontrar a maneira mais fácil de me conformar com tudo. Conformar e aceitar as coisas que por algum motivo, aparecem e partem, mesmo quando tudo o que menos queremos é que elas se vão. Talvez, você fora mesmo um sonho e me fizera sentir algo que jamais imaginara sentir. Mas tudo se transforma, tudo um dia se vai, e você também se foi. Não trago comigo o lamento, mas a saudade, que pesa, pesa e pesa cada dia mais.

sexta-feira, 12 de março de 2010


And all the roads we have to walk are winding
And all the lights that lead us there are blinding
There are many things that I would like to say to you
But I don't know how

Because maybe
You're gonna be the one that saves me
And after all
You're my wonderwall

Wonderwall - Oasis ♪

domingo, 28 de fevereiro de 2010



Por favor, alguém me ensina como descrever a felicidade?
É incrível como quando estou chateada, angustiada, me dá uma vontade quase que ivencível de escrever, de desabafar com um pedaço de papel. Para que como se a medida que eu fosse escrevendo, fosse aliviando um pouco a dor. Como se a medida que eu fosse escrevendo, fosse desacorrentando um pouco a alma. Isso é comum, porque na maioria dos dias me sinto assim e sinto essa necessidade de escrever e arrancar um pouco do peso que a alma carrega. Mas e em dias como hoje? E em dias em que a tristeza simplesmente desaparece e dá lugar à felicidade? É como se ser feliz já me ocupasse por inteiro e não sobrasse tempo algum e muito menos me aparecesse necessidade alguma de escrever sobre isso. Como se ser feliz me esgotasse todas as forças. Um sorriso basta. Ter você, mesmo que de longe, basta. É como se desaparecessem as incertezas e os problemas se transformassem de tempestades, em pequenos chuviscos, batendo e molhando a janela do meu quarto. E eu olho através dela. Vejo o céu, vejo a pequena chuva se derramando, vejo o vento balaçando as folhas das árvores e tudo, tudo me faz lembrar você.
O dono da minha felicidade. A pessoa que anulou minha ansiedade e minha angústia. Sei que preciso delas para me sentir mais próxima de mim mesma às vezes, mas, não consigo desperdiçar esses pequenos momentos por nada. Momentos que parecem como se os pedaços de um diamante que se encontravam estilhaçados ao chão se juntam novamente, e brilham. Brilham tão intensamente que afastam qualquer tempestade que possa levar o brilho deles pela correnteza, e tornam mais próximos os pequenos chuviscos; aqueles que apenas lavam e destacam ainda mais o brilho já existente no diamante. E é então o momento em que decido sair pela minha porta e ir sentir os pequenos chuviscos que molham tudo lá fora. Gosto quando ainda perto da porta, onde a chuva não atinge, do barulho de caminhar sobre as folhas secas.
E gosto mais ainda, quando estou debaixo dos pequenos chuviscos que derramam do céu. É como se dançando sob a chuva, resgatasse um pouco o brilho do diamante que existe em mim. O diamante que por momentos penso que já perdeu o seu brilho e qualquer luz que pudesse ter. Mas então é quando você aparece e traz o aparentemente perdido. O aparentemente perdido de que tanto preciso. E talvez por isso seja tão difícil descrever certos sentimentos, certos momentos e certas pessoas. Talvez porque ocupam todo o ser e a alma de nada mais necessite. É tão bom se sentir completo, sorrir com os olhos, com a alma e com o corpo todo. Sem precisar fingir e sem se preocupar se o sorriso estampado está bom o bastante para esconder o buraco lá de dentro. Buraco de onde sai o eco de quando a alma grita, mas que nesse momento está calma, feliz e ocupada demais para poder pensar nos pedaços que às vezes se estilhaçam ao chão.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010


Me lembro de alguns anos atrás, quando meus pais chegavam perto de mim e diziam: "Filha, você tem que comer isso. Faz falta pra você. Você está em fase de crescimento". Eu entendia o que eles estavam dizendo. Sabia - apesar de não comer - que comer certas coisas era necessário para que meu corpo crescesse forte e saudável. Mas isso era apenas uma ordem, um conselho, uma lição, ou um simples dito.
Se eu fizesse um resumo da minha vida em um ano, e no próximo ano fizesse outro, o segundo seria, com certeza, muito diferente. Mas tenho dia a dia me livrado disso. Faz algum tempo que tenho percebido um crescimento em mim. Determinado por outros tipos de alimentos. Um crescimento interno, de caráter. Como se estivessem se firmando meus gostos, minhas ideias e minhas opiniões. Como se cada decisão que eu tome, seja tomada por minhas opiniões que vêm se solidificando. E enquanto me solidifico em algumas coisas, deixo outras evaporarem. Coisas, que hoje percebo que não são precisas para tipo de crescimento algum. Deixo evaporar as decepções passadas, os sonhos interrompidos, as vontades frustradoras, as dores suicidas. Deixo evaporar tudo o que faça com que eu me sinta menor do que realmente sou. Sinto profundamente minhas mágoas - preciso delas para sentir a mim mesma -, mas sei bem o ponto de deixá-las evaporar também; antes que tudo se exploda e sobrem apenas cacos.
Tenho escolhido mais a qualidade do que a quantidade. Independente de que setor da minha vida - mas até que nesse sentido sempre fui assim. Quem me conhece, sabe: não sou de muitos amigos. Talvez pela minha timidez. Sou tímida pelo castigo e pela glória. Pelo castigo, ser tímida me priva de muitas coisas e me traz a necessidade de precisar me sentir segura para ser eu mesma. Pela glória, poder, talvez, me mostrar intensamente para as pessoas que merecem e têm paciência. Isso já afastou de mim pessoas que não me fariam bem algum, pessoas que talvez se aproximassem por algum tipo de interesse (e de falsidade já me fartei faz tempo!). Foram evaporadas da minha vida sem que eu fizesse esforço algum.
Talvez seja isso que chamam de adolescência: o caminho para poder escolher ser sim ou não e nunca talvez. Poder parar e refletir cada passo que você dá, em caminho ao seu destino, em caminho à você mesmo. É se entupir de opiniões, de extremos e de verdades - e ainda assim ter medo da verdade. É ir de corpo, alma e suspiros. É se dar por inteira e deixar evaporar os mais ou menos.
Há um dia atrás, comecei a expor algumas insatisfações minhas, que tenho de mim mesma. Reclamei de mim, quase tudo o que queria reclamar. Disse o que me deixa pra baixo e o que poderia mudar. Meu pai não hesitou: "CRIANÇA!". Talvez eu seja mesmo. (ainda carrego em mim a alegria de querer ser sempre feliz.)E eu - como qualquer pessoa -, tenho minhas insatisfações com o mundo e comigo mesma. Não me importo se querer realinhá-las para me sentir melhor pareça infantilidade. No entanto, me preocupo com os quebra-molas no caminho. Tem um lado de mim que nunca vai crescer: que sempre fará escolhas e decisões por impulso. E esse lado, pode fazer com que eu deixe ao longo da minha história, evaporar mais do que o necessário. Pode ser que ele faça com que eu torne sólido, algo que não deveria ser. Mas posso ter sorte também.

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Como dizia Clarice: "Deverei continuar a acertar e a errar, aceitando os resultados resignadamente? Ou devo lutar e tornar-me uma pessoa mais adulta? E também tenho medo de tornar-me adulta demais: eu perderia um dos prazeres do que é um jogo infantil, do que tantas vezes é uma alegria pura. Vou pensar no assunto. E certamente o resultado ainda virá sob a forma de um impulso. Não sou madura bastante ainda. Ou nunca serei."

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