Sempre fui esse poço fundo de interrogações e esse buraco negro de respostas. Sempre fui dessa coisa assombrosa de acordar lagarta e ir dormir mariposa. Sempre fui dessa coisa assustadora de sentir e sofrer muito o momento, que é a minha forma de viver, que é a minha forma de intensidade. Nunca fui certa. Sempre fui meio entre extremos, meio avussa, meio quieta, meio louca. Eu sempre fui assim meio querer o que está a quilômetros da ponta dos meus dedos. Sempre fui assim meio querer enfiar de qualquer jeito na minha vida o que não cabe no meu mundo. Então aparece alguém assim, que cabe tão bem e tão certo nos
meus braços, na minha vida e no meu mundo. E ainda assim meu pensamento tenta distorcer e me convencer de que não está cabendo mais. Aí acontece de tudo ficar meio assim aos trampos, completamente de pernas pr'o ar. Mas eu continuo andando, tropeçando, andando e correndo até perder a noção do espaço. Até dar de cara com você lá na frente da minha estrada. Até cair nos seus braços e me sentir incrívelmente protegida dos meus nãos. Certo é algo que o nosso amor certamente nunca foi para mim. Assim como nada é. E meu pensamento até tenta me empurrar e, me deixando assustada, fazer com que eu corra sem rumo. Mas a sua mão me segura forte, e me puxa tão doce e tão firme que tudo começa a fazer absurdamente o maior sentido. E então eu fico, assim, tão sua como nunca havia sido.

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