sábado, 21 de maio de 2011


Um brinde aos sonhadores, apaixonados, com fome de mundo. Aos que não se escondem nem se habituam ao uso de máscaras, mas que mostram o rosto e botam a cara a tapa, crua mesmo, pura, sem maquiagem ou requinte. Um brinde aos que sonham; aos que arriscam; aos que já se apaixonaram, tiveram fome de mundo, botaram a cara a tapa e cabaram com o rosto imenso, inchado, dolorido e vermelho de tanto apanhar. Aos que, em uma aconchegante tarde primaveril, foram docemente convidados para entrarem, se assentarem e tomarem o chá amargo do desamor. São esses, as vítimas dessa bebida impiedosa, os eternos suportadores da sua enchaqueca, os paralíticos por dentro e que ainda assim caminham. São esses, os interiormente aflitos, que por causa do desamor passado caminham com calma; pensamento longe; pé firme no freio; olhar atento para o desvio, caso apareça algum novo buraco; com palavras guardadas em alguma gaveta por dentro, esperando o possível momento certo de pronunciá-las. Mas são os mesmos que, do nada, explodem: apressam o passo, pisam no acelerador e deixam as palavras livres, saltando como um grito da alma. Um brinde a esses que bebem dia e noite da fonte da vida. Bebida essa imprevisível, sem gosto nem cheiro específico. A esses que são, acima de tudo, gente. Gente que não se economiza. Gente que se permite ser e viver apesar de. Gente que se abre e se deixa tocar. Gente que toca. Gente que perfuma o mundo. Gente que desabroxa. Gente que sonha. Gente que ama.
Do jeito que for.

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