Minha vida desenrolava bem na frente dos meus olhos, e, dentro de mim, um medo que me impedia de tocá-la, como se ao tocá-la eu pudesse me queimar, como se ao tocá-la eu sairia ferida.
Então permanecia ali, à mercê da minha própria história, coadjuvante do meu próprio filme, expectadora da minha própria vida. Enrolava meu corpo em alguns sonhos e sentimentos passados, como se eles fossem me servir de isolante contra todo o mal que sussurrava, me chamando, atrás de todo sorriso que meus olhos vissem. Mas até quando? Até quando eu ficaria ali, afastada de tudo, tentando me proteger da minha própria vida, sem saber que aquilo protegia apenas a minha parte externa, enquanto por dentro havia uma parte, uma fatia, um lado mais importante que estava desprotegido de tudo?
E eu continuava fechando e abrindo os olhos, respirando e respirando novamente, como se estivesse viva e bem no meio daquela coisa toda que se passava frente aos meus olhos. Mas o capítulo não se repetia todos os dias. Vez ou outra eu abria os olhos e me jogava naquela coisa sem medo algum, tirava a roupa de coadjuvante, entrava na peça como atriz principal e sem ensaiar sequer uma frase - porque de tão audaciosa que é a vida, nunca me havia acontecido algo exatamente como eu havia ensaiado ou imaginado antes. Vez ou outra eu fugia daquela gaiola e me permitia voar para onde o vento quisesse me levar, mesmo que em algumas tentativas de voo me acontecesse de perder o equilíbrio e cair.
Acontece que alguma coisa cheirando a passado me obriga sempre a ir devagar, e eu o faço: começo sempre pisando no freio, desviando dos buracos, seguindo à risca cada etapa, guardando cada palavra para um possível momento certo... Mas aí do nada, explodo: tiro a venda dos olhos, piso no acelerador e deixo as palavras saírem sem medo, sem erro, para perfumar o ar com o perfume daquela minha fatia desprotegida lá de dentro.
Porque vez ou outra é preciso se entregar por inteiro: cabeça, mão, olhos, coração e aquele pé que ficou meio para trás também. Porque vez ou outra temos que reconhecer a imensidão que abrigamos nessa parte importante de dentro, e então permitir o mundo em você e permitir-se no mundo, entregar-se sem economia alguma, porque a alma é infinita. E eu, mesmo às vezes afastada de tudo e com medo de integrar o mundo, reconhecia isso. Porque no fundo eu era apenas uma fruta mordida e oxidada por ter sido exposta ao mundo; uma fragrância, de rosa pisoteada; uma desafinada, mais uma menina desafinada, na qual também existia, lá pelas vizinhanças da alma, um coração que batia incansavelmente em busca da sintonia perfeita com o mundo.
Então permanecia ali, à mercê da minha própria história, coadjuvante do meu próprio filme, expectadora da minha própria vida. Enrolava meu corpo em alguns sonhos e sentimentos passados, como se eles fossem me servir de isolante contra todo o mal que sussurrava, me chamando, atrás de todo sorriso que meus olhos vissem. Mas até quando? Até quando eu ficaria ali, afastada de tudo, tentando me proteger da minha própria vida, sem saber que aquilo protegia apenas a minha parte externa, enquanto por dentro havia uma parte, uma fatia, um lado mais importante que estava desprotegido de tudo?
E eu continuava fechando e abrindo os olhos, respirando e respirando novamente, como se estivesse viva e bem no meio daquela coisa toda que se passava frente aos meus olhos. Mas o capítulo não se repetia todos os dias. Vez ou outra eu abria os olhos e me jogava naquela coisa sem medo algum, tirava a roupa de coadjuvante, entrava na peça como atriz principal e sem ensaiar sequer uma frase - porque de tão audaciosa que é a vida, nunca me havia acontecido algo exatamente como eu havia ensaiado ou imaginado antes. Vez ou outra eu fugia daquela gaiola e me permitia voar para onde o vento quisesse me levar, mesmo que em algumas tentativas de voo me acontecesse de perder o equilíbrio e cair.
Acontece que alguma coisa cheirando a passado me obriga sempre a ir devagar, e eu o faço: começo sempre pisando no freio, desviando dos buracos, seguindo à risca cada etapa, guardando cada palavra para um possível momento certo... Mas aí do nada, explodo: tiro a venda dos olhos, piso no acelerador e deixo as palavras saírem sem medo, sem erro, para perfumar o ar com o perfume daquela minha fatia desprotegida lá de dentro.
Porque vez ou outra é preciso se entregar por inteiro: cabeça, mão, olhos, coração e aquele pé que ficou meio para trás também. Porque vez ou outra temos que reconhecer a imensidão que abrigamos nessa parte importante de dentro, e então permitir o mundo em você e permitir-se no mundo, entregar-se sem economia alguma, porque a alma é infinita. E eu, mesmo às vezes afastada de tudo e com medo de integrar o mundo, reconhecia isso. Porque no fundo eu era apenas uma fruta mordida e oxidada por ter sido exposta ao mundo; uma fragrância, de rosa pisoteada; uma desafinada, mais uma menina desafinada, na qual também existia, lá pelas vizinhanças da alma, um coração que batia incansavelmente em busca da sintonia perfeita com o mundo.

Admirei você, que mesmo mediante ao medo não deixou de continuar..
ResponderExcluirse é que estava se referindo a vocÊ!
bjs