(dedicado à Ariquinha)
Não sei ao certo quando conheci a menina do all star sujo. Não foi um contrato. Não marcamos o dia, nem a hora. Não sei se primeiro nos olhamos, ou se sorrimos, ou se nos abraçamos, ou se nos odiamos. Sei que ela se perdeu na minha vida e eu fui jogada na dela, e juntas fomos nos achando e achando tanta coisa mais...
Quem vê a areia impregnada no tênis da menina, mal pode imaginar por que caminhos passara e que caminhos passara por ela. Dizem que viver é deixar pegadas, me pergunto, então, se algumas pegadas dessa menina não podiam ser apagadas, se não do chão, pelo menos das lembranças que carregamos no bolso da frente da calça, que acabam nunca se perdendo.
O fato é que aquela menina foi tão mais pisada que pisou, tão mais vivida que viveu e nem sempre aguentou o peso do sapato dos outros em cima do próprio peito, nem sempre limpou, sem repudiar, a poeira que outros sapatos deixaram no sorriso trêmulo de que era dona. Aquele sorriso que tantos julgariam perfeito, sem saber... Sem saber que aquela menina, no fundo, procurava um abrigo para se sentir realmente em casa; procurava um abraço que segurasse sua alma, a qual se expandia um pouco a cada tic e tac do relógio, procurava um sorriso que a ela não importava se perfeito ou não, contanto que ainda existisse...
Sei que a vida se encontrava difícil, também pra ela, que conheceu a aspereza do mundo antes mesmo de saber o que era mundo. Sei, também, que a menina já nem era tão menina mais. Já trocara o tênis sujo pelo sapato de salto alto. A calça desbotada por um vestido curto. O lábio apagado pelo batom vermelho. Mas coração não se troca. No fundo dos olhos terá sempre uma menina de tênis sujo a pedir abrigo. Eu sei que sim. Sei ainda que, da menina, vai ficar o medo dentro do peito, a dor abafada no sorriso e a poesia escondida nos olhos. Pois a menina do all star sujo é, ainda, a menina do coração mole, dos gestos duros de quem finge não se importar, dos olhos empoeirados que vez ou outra entregam o brilho. Mas não deixam de brilhar, apesar de.
Sei que a vida se encontrava difícil, também pra ela, que conheceu a aspereza do mundo antes mesmo de saber o que era mundo. Sei, também, que a menina já nem era tão menina mais. Já trocara o tênis sujo pelo sapato de salto alto. A calça desbotada por um vestido curto. O lábio apagado pelo batom vermelho. Mas coração não se troca. No fundo dos olhos terá sempre uma menina de tênis sujo a pedir abrigo. Eu sei que sim. Sei ainda que, da menina, vai ficar o medo dentro do peito, a dor abafada no sorriso e a poesia escondida nos olhos. Pois a menina do all star sujo é, ainda, a menina do coração mole, dos gestos duros de quem finge não se importar, dos olhos empoeirados que vez ou outra entregam o brilho. Mas não deixam de brilhar, apesar de.
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Esse texto me fez sentir de uma forma tão... estranha. É como se estivesse conversando comigo mesma, nunca imaginei que alguém me conheceria dessa forma. Muito lindo, mesmo!
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