O inverno chegou,
Me agasalhou o corpo,
Me enrugou os dedos,
Deixou alma e dentes nus.
Arde na face, agora, a dor
E gelam
As mãos que outrora se puseram
A tremer por amor.
Por amor, aceito
A perda do outono na esquina daquela rua
Onde, inda que depois de tanto feito,
Nunca mais hei de ser tua.
No inverno, sou meu eu mais triste
Que existe!
Sou meu eu mais corpo geleira,
Sou meu eu mais alma vulcão.
Sou meu eu mais passarinho,
Carente de carinho,
Que, por caçar ninho,
Caiu em desalinho
Dentro do próprio coração.

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